terça-feira, 14 de junho de 2011

ENCARNAÇÃO DOS ESPÍRITOS


OBJETIVO DA ENCARNAÇÃO

132 Qual é o objetivo da encarnação dos Espíritos?
– A Lei de Deus lhes impõe a encarnação com o objetivo de fazê-los
chegar à perfeição. Para uns é uma expiação; para outros é uma missão.
Mas, para chegar a essa perfeição, devem sofrer todas as tribulações da
existência corporal: é a expiação. A encarnação tem também um outro
objetivo: dar ao Espírito condições de cumprir sua parte na obra da criação.
Para realizá-la é que, em cada mundo, toma um corpo em harmonia
com a matéria essencial desse mundo para executar aí, sob esse ponto
de vista, as determinações de Deus, de modo que, concorrendo para a
obra geral, ele próprio se adianta.
* A ação dos seres corpóreos é necessária à marcha do universo. Deus,
em sua sabedoria, quis que, numa mesma ação, encontrassem um meio
de progredir e de se aproximar Dele. É assim que, por uma lei admirável da
Providência, tudo se encadeia, tudo é solidário na natureza.
133 Os Espíritos que, desde o princípio, seguiram o caminho do
bem, têm necessidade da encarnação?
– Todos são criados simples e ignorantes e se instruem nas lutas e
tribulações da vida corporal. Deus, que é justo, não podia fazer só alguns
felizes, sem dificuldades e sem trabalho e, por conseguinte, sem mérito.
133 a Mas, então, de que serve aos Espíritos seguirem o caminho
do bem, se isso não os livra das dificuldades da vida corporal?
– Eles chegam mais rápido à finalidade a que se destinam; e, depois,
as dificuldades da vida são muitas vezes a conseqüência da imperfeição
do Espírito. Quanto menos imperfeições, menos tormentos. Aquele que
não é invejoso, ciumento, avarento ou ambicioso não sofrerá com os tormentos
que procedem desses defeitos.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

ANJOS E DEMÔNIOS


128 Os seres a que chamamos anjos, arcanjos, serafins formam
uma categoria especial de natureza diferente dos outros Espíritos?
– Não. São os Espíritos puros. Estão no mais alto grau da escala e
reúnem todas as perfeições.
* A palavra anjo desperta, geralmente, a idéia de perfeição moral.
Entretanto, aplica-se, muitas vezes, a todos os seres bons e maus que
estão fora da humanidade. Diz-se: o bom e o mau anjo, o anjo de luz e o
anjo das trevas. Nesse caso, é sinônimo de Espírito ou de gênio. Nós a
tomamos aqui na sua significação de bom.
129 Os anjos percorreram todos os graus da escala evolutiva?
– Eles percorreram todos os graus, mas, como já dissemos: uns aceitaram
sua missão sem murmurar e chegaram mais rápido; outros levaram
um tempo mais ou menos longo para chegar à perfeição.
130 Se a opinião de que há seres criados perfeitos e superiores
a todas as outras criaturas é errônea, como se explica o fato de que
esteja na tradição de quase todos os povos?
– Pensai e considerai que o vosso mundo não existe de toda a eternidade
e que, muito tempo antes que ele existisse, havia Espíritos que já
tinham alcançado o grau supremo da evolução. Eis por que os homens
acreditaram que eles foram sempre assim (perfeitos).
131 Há demônios, no sentido que se dá a essa palavra?
– Se houvesse demônios, seriam obra de Deus. Deus seria justo e
bom por ter feito seres eternamente devotados ao mal e eternamente infelizes?
Se há demônios, é no vosso mundo inferior e em outros semelhantes
ao vosso. Demônios são esses homens hipócritas que fazem de um Deus
justo um Deus mau e vingativo e acreditam que Lhe agradam pelas abominações
que cometem em Seu nome.
* A palavra demônio nos dias atuais significa e nos dá idéia de mau
Espírito, porém a palavra grega daimôn, de onde se origina, significa
gênio, inteligência, e se emprega para designar seres incorpóreos, bons
ou maus, sem distinção.
Os demônios, conforme o significado comum da palavra, supõem
seres malvados por natureza, na sua essência. Seriam, como todas as
coisas, criação de Deus. Assim sendo, Deus, soberanamente justo e
bom, não pode ter criado seres predispostos, por sua natureza, ao mal
e condenados por toda a eternidade. Se não fossem obra de Deus,
seriam, forçosamente, como ele, de toda a eternidade, ou então haveria
muitos poderes soberanos.
A primeira condição de toda doutrina é a de ser lógica. A doutrina
dos demônios, cuidadosa e severamente analisada, peca por essa base
essencial. Pode-se compreendê-la na crença dos povos atrasados que,
por não conhecerem os atributos de Deus, crêem em divindades maldosas
e em demônios. Mas, para todo aquele que faz da bondade de
Deus um atributo por excelência, é ilógico e contraditório supor que
Deus pudesse criar seres voltados ao mal e destinados a praticá-lo
perpetuamente, porque isso é negar Sua bondade. Os partidários do
demônio se apóiam nas palavras do Cristo. E com toda certeza não
contestaremos aqui a autoridade de Seu ensinamento, que gostaríamos
de ver mais no coração do que na boca dos homens. Mas os
partidários dessa idéia estarão certos do significado que o Cristo dava à
palavra demônio? Já não sabemos que a forma alegórica é a maneira
usual de Sua linguagem? Tudo que é dito no Evangelho deve ser tomado
ao pé da letra? Não precisamos de outra prova mais evidente além
desta passagem:
“Logo após esses dias de aflição, o Sol se escurecerá e a Lua não
mais iluminará, as estrelas cairão do céu e as forças do céu serão abaladas.
Eu vos digo em verdade que esta geração não passará sem que
todas essas coisas sejam cumpridas.”
Não vimos a forma do texto bíblico ser contestada pela ciência no
que se refere à Criação e ao movimento da Terra? Não se dará o mesmo
com certas figuras empregadas pelo Cristo, tendo que falar em conformidade
com os tempos e os lugares? O Cristo não poderia dizer, conscientemente,
uma falsidade; se, então, em suas palavras há coisas que
parecem chocar a razão, é porque não as compreendemos ou as interpretamos
mal.
Os homens fizeram com os demônios o que fizeram com os anjos.
Da mesma forma que acreditaram na existência de seres perfeitos desde
toda a eternidade, tomaram também por comparação os Espíritos
inferiores como seres perpetuamente maus. Pela palavra demônio devem-
se entender Espíritos impuros que, muitas vezes, não são nada melhores
do que o nome já diz, mas com a diferença de que seu estado é
apenas transitório. Esses são os Espíritos imperfeitos que se revoltam
contra as provas que sofrem e, por isso, as sofrem por um tempo mais
longo; porém, chegarão a se libertar e sair dessa situação quando tiverem
vontade. Podemos, portanto, compreender a palavra demônio com
essa restrição. Mas, como se entende agora, com um sentido peculiar e
muito próprio, ela induziria ao erro, fazendo acreditar na existência de
seres especialmente criados para o mal.
Com relação a Satanás, é evidentemente a personificação do mal
sob uma forma alegórica, porque não se poderia admitir um ser mau
lutando em igualdade de poder com a Divindade e cuja única preocupação
seria a de contrariar seus desígnios. Como o homem precisa de
figuras e imagens para impressionar sua imaginação, o próprio homem
pintou seres incorpóreos sob uma forma material, com os atributos que
lembram as qualidades e os defeitos humanos. É assim que os antigos,
querendo personificar o Tempo, pintaram-no na figura de um velho com
uma foice e uma ampulheta. A figura de um jovem para essa alegoria
seria um contra-senso. Ocorre o mesmo com as alegorias da fortuna,
da verdade, etc. Modernamente os anjos ou Espíritos puros são representados
numa figura radiosa, com asas brancas, símbolo da pureza;
Satanás com chifres, garras e os atributos da animalidade, emblema
das paixões inferiores. O povo, que toma as coisas ao pé da letra, viu
nesses emblemas individualidades reais, como antigamente viu Saturno
na alegoria do Tempo.

sábado, 11 de junho de 2011

PROGRESSÃO DOS ESPÍRITOS


114 Os Espíritos são bons ou maus por natureza ou são eles
mesmos que se melhoram?
– São os próprios Espíritos que se melhoram, passando de uma ordem
inferior para uma ordem superior.
115 Dentre os Espíritos, alguns foram criados bons e outros maus?
– Deus criou todos os Espíritos simples e ignorantes, ou seja, sem
conhecimento. Deu a cada um uma missão com o objetivo de esclarecêlos
e de fazê-los chegar, progressivamente, à perfeição pelo conhecimento
da verdade e para aproximá-los de Si. A felicidade eterna e pura é para
os que alcançam essa perfeição. Os Espíritos adquirem esses conhecimentos
ao passar pelas provas que a Lei Divina lhes impõe. Uns aceitam
essas provas com submissão e chegam mais depressa ao objetivo que
lhes é destinado. Outros somente as suportam com lamentação e por
causa dessa falta permanecem mais tempo afastados da perfeição e da
felicidade prometida.
115 a Assim sendo, os Espíritos seriam em sua origem semelhantes
às crianças, ignorantes e sem experiência, só adquirindo pouco a
pouco os conhecimentos que lhes faltam ao percorrer as diferentes fases
da vida?
– Sim, a comparação é boa. A criança rebelde permanece ignorante e
imperfeita, tem maior ou menor aproveitamento segundo sua docilidade.
Porém, a vida do homem tem um limite, um fim, enquanto a dos Espíritos
se estende ao infinito.
116 Há Espíritos que permanecerão perpetuamente nas classes
inferiores?
– Não, todos se tornarão perfeitos. Eles progridem, mas demoradamente.
Como já dissemos, um pai justo e misericordioso não pode banir
eternamente seus filhos. Pretenderíeis que Deus, tão grande, tão bom, tão
justo, fosse pior do que vós mesmos?
117 Depende dos Espíritos apressar seu progresso para a
perfeição?
– Certamente. Chegam mais ou menos rapidamente conforme seu
desejo e submissão à vontade de Deus. Uma criança dócil não se instrui
mais rapidamente do que uma criança rebelde?
118 Os Espíritos podem se degenerar?
– Não; à medida que avançam, compreendem o que os afasta da
perfeição. Quando o Espírito acaba uma prova, fica com o conhecimento
que adquiriu e não o esquece mais. Pode ficar estacionário, mas retroceder,
não retrocede.
119 Deus não poderia isentar os Espíritos das provas que devem
sofrer para atingir a primeira ordem?
– Se tivessem sido criados perfeitos, não teriam nenhum mérito para
desfrutar dos benefícios dessa perfeição. Onde estaria o mérito sem a
luta? Além do mais, a desigualdade entre eles é necessária para desenvolver
a personalidade, e a missão que realizam nessas diferentes ordens
está nos desígnios da Providência para a harmonia do universo.
* Tendo em vista que na vida social todos os homens podem chegar
às primeiras funções, igualmente poderíamos perguntar por que o soberano
de um país não promove cada um de seus soldados a general; por que
todos os empregados subalternos não são empregados superiores; por
que todos os estudantes não são mestres. Portanto, há essa diferença
entre a vida social e a vida espiritual: a primeira é limitada e nem sempre
permite alcançar todos os graus, enquanto a segunda é indefinida e deixa a
cada um a possibilidade de se elevar ao grau supremo.
120 Todos os Espíritos passam pelo mal para chegar ao bem?
– Pelo mal, não, mas sim pela fieira (5) da ignorância.
121 Por que alguns Espíritos seguiram o caminho do bem e outros
o do mal?
– Não têm eles o livre-arbítrio? Deus não criou Espíritos maus; criou-os
simples e ignorantes, ou seja, com as mesmas aptidões tanto para o bem
quanto para o mal. Os que são maus o são por vontade própria.
122 Como é que os Espíritos, em sua origem, quando ainda não
têm consciência de si mesmos, podem ter a liberdade de escolha entre
o bem e o mal? Há neles algum princípio, alguma tendência que os
leve para um ou outro caminho?
– O livre-arbítrio se desenvolve à medida que o Espírito adquire a consciência
de si mesmo. Não haveria mais liberdade se a escolha fosse
determinada ou imposta por uma causa independente da vontade do Espírito.
A causa não está nele, e sim fora, nas influências a que cede em
virtude de sua livre vontade. É essa a grande figura da queda do homem e
do pecado original: uns cederam, outros resistiram à tentação.
122 a De onde parte a influência sobre ele?
– Dos Espíritos imperfeitos que procuram apossar-se dele para dominá-
lo e ficam satisfeitos de o fazer fracassar. Foi isso que se quis simbolizar
na figura de Satanás.
122 b Essa influência se exerce sobre o Espírito somente em sua
origem?
– Essa influência o segue na sua vida de Espírito até que alcance um
domínio tão completo sobre si mesmo que os maus desistam de obsediá-lo (6).
123 Por que Deus permitiu que os Espíritos pudessem seguir o
caminho do mal?
– Como ousais pedir a Deus conta de seus atos? Pensais poder penetrar
seus desígnios? Entretanto, podeis pensar assim: a sabedoria de
Deus está na liberdade de escolha que dá a cada um, porque, assim,
cada um tem o mérito de suas obras.
124 Uma vez que há Espíritos que, desde o princípio, seguem o
caminho do bem absoluto e outros o do mal absoluto, deve haver, sem
dúvida, degraus entre esses dois extremos?
– Sim, certamente, e é aí que se encontra a grande maioria.
125 Os Espíritos que seguiram o caminho do mal poderão chegar
ao mesmo grau de superioridade que os outros?
– Sim, mas as eternidades serão para eles mais longas.
* Por esta expressão – as eternidades – deve-se entender a idéia
que os Espíritos inferiores têm da perpetuidade de seus sofrimentos,
porque, como não lhes é dado ver o fim do seu sofrimento, essa idéia
revive em todas as provas em que fracassam (7).
126 Os Espíritos que alcançaram o grau supremo de perfeição,
após terem passado pelo mal, têm menos mérito do que os outros,
aos olhos de Deus?
– Deus contempla a todos do mesmo modo e os ama com o mesmo
coração. Eles foram chamados maus por fracassarem; mas no início eram
só simples Espíritos.
127 Os Espíritos são criados iguais quanto às aptidões intelectuais?
– Eles são criados iguais, mas, não sabendo de onde vêm, é preciso
que o livre-arbítrio prossiga seu curso. Progridem mais ou menos rapidamente
em inteligência como em moralidade.
* Os Espíritos que seguem desde o princípio o caminho do bem nem
por isso são Espíritos perfeitos. Se não têm tendências más ainda
precisam adquirir a experiência e os conhecimentos necessários para
atingir a perfeição. Podemos compará-los a crianças que, qualquer que
seja a bondade de seus instintos naturais, têm necessidade de se
desenvolver, se esclarecer e não passam, sem transição, da infância à
idade adulta. Assim como há homens bons e outros maus desde
sua infância, há também Espíritos bons ou maus desde sua origem,
com a diferença fundamental de que a criança tem os instintos todos
formados, enquanto o Espírito, na sua formação, não é mau, nem bom;
tem todas as tendências e toma uma ou outra direção por efeito de seu
livre-arbítrio.

5 - Fieira: experiência pela qual alguém passou (N. E.).

6 - Obsessão: neste caso, influência de um Espírito desencarnado, malévolo, sobre um encarnado.
Há outras formas de obsessão – Veja O Livro dos Médiuns, Segunda Parte, cap. 23 -
Da Obsessão – (N. E.).
7 - Compare com a questão 101, referente à idéia de sofrimento e punição (N. E.).

sexta-feira, 10 de junho de 2011

PRIMEIRA ORDEM – ESPÍRITOS PUROS


112 Características gerais– Não sofrem nenhuma influência da matéria.
Superioridade intelectual e moral absoluta em relação aos Espíritos
das outras ordens.
113 Primeira classe. Classe Única– Passaram por todos os graus da
escala e se libertaram de todas as impurezas da matéria. Tendo atingido o
mais elevado grau de perfeição de que é capaz a criatura, não têm mais
que sofrer provas nem expiações. Não estando mais sujeitos à reencarnação
em corpos perecíveis, a vida é para eles eterna e a desfrutam no seio
de Deus.
Gozam de uma felicidade inalterável por não estarem sujeitos nem às
necessidades, nem às variações e transformações da vida material. Mas
essa felicidade não é de uma ociosidade monótona passada numa contemplação
perpétua. São os mensageiros e ministros de Deus, cujas ordens
executam para a manutenção da harmonia universal. Comandam
todos os Espíritos que lhes são inferiores, ajudando-os a se aperfeiçoarem
e lhes designam missões. Assistir os homens em suas aflições, incitá-los
ao bem ou à expiação das faltas que os afastam da felicidade suprema é
para eles uma agradabilíssima ocupação. São chamados, às vezes, de
anjos, arcanjos ou serafins.
Os homens podem entrar em comunicação com eles, mas presunçoso
seria aquele que pretendesse tê-los constantemente às suas ordens.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

SEGUNDA ORDEM – BONS ESPÍRITOS


107 Características gerais– Predominância do Espírito sobre a matéria;
desejo do bem. Suas qualidades e poder para fazer o bem estão em
conformidade com o grau que alcançaram. Uns têm a ciência; outros, a
sabedoria e a bondade. Os mais adiantados reúnem o saber às qualidades
morais. Não estando ainda completamente desmaterializados,
conservam mais ou menos, de acordo com sua categoria, os traços da
existência corporal, tanto na forma da linguagem quanto nos costumes,
entre os quais se identificam algumas de suas manias. Não fosse por isso,
seriam Espíritos perfeitos.
Compreendem Deus e o infinito e já gozam da felicidade dos bons;
são felizes pelo bem que fazem e pelo mal que impedem. O amor que os
une é uma fonte de felicidade indescritível que não é alterada pela inveja,
pelo remorso, nem por nenhuma das más paixões que fazem o tormento
dos Espíritos imperfeitos. Mas todos ainda têm que passar por provas até
que atinjam a perfeição absoluta.
Como Espíritos, sugerem bons pensamentos, desviam os homens do
caminho do mal, protegem a vida daqueles que se tornam dignos e neutralizam
a influência dos Espíritos imperfeitos sobre os que não têm por
que passar por ela.
Quando encarnados são bons e benevolentes com os seus semelhantes.
Não são movidos pelo orgulho, egoísmo, nem ambição. Não sentem
ódio, rancor, inveja ou ciúme e fazem o bem pelo bem.
A esta ordem pertencem os Espíritos designados nas crenças populares
pelos nomes de gênios bons, gênios protetores, Espíritos do bem.
Nos tempos de superstições e ignorância, foram tidos como divindades
benfazejas.
Pode-se dividi-los em quatro grupos principais:
108 Quinta classe. Espíritos Benevolentes – Sua qualidade dominante
é a bondade; satisfazem-se em prestar serviços aos homens e em
protegê-los, mas seu saber é limitado. Seu progresso é maior no sentido
moral do que no intelectual.
109 Quarta classe. Espíritos Prudentes ou Sábios – O que os distingue
especialmente é a abrangência de seus conhecimentos. Preocupam-se menos
com as questões morais do que com as científicas, para as quais têm
mais aptidão. Mas consideram a ciência somente do ponto de vista da utilidade,
livre das paixões que são próprias dos Espíritos imperfeitos.
110 Terceira classe. Espíritos de Sabedoria – As qualidades morais
do mais elevado grau formam seu caráter. Sem ter conhecimentos ilimitados,
são dotados de uma capacidade intelectual que lhes dá um julgamento
preciso e sábio sobre os homens e as coisas.
111 Segunda classe. Espíritos Superiores – Reúnem a ciência, a sabedoria
e a bondade. Sua linguagem revela sempre a benevolência e é
constantemente digna, elevada, muitas vezes sublime. Sua superioridade
os torna mais aptos que os outros para nos dar noções mais justas sobre
as coisas do mundo incorpóreo, dentro dos limites do que é permitido ao
homem conhecer. Comunicam-se benevolentemente com os que procuram
de boa-fé a verdade e que têm a alma já liberta dos laços terrestres
para compreendê-la. Mas se afastam dos que são movidos apenas pela
curiosidade ou dos que a influência da matéria desvia da prática do bem.
Quando, por exceção, encarnam na Terra, é para realizar uma missão
de progresso e nos oferecem, então, o modelo de perfeição a que a humanidade
pode aspirar neste mundo.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

TERCEIRA ORDEM – ESPÍRITOS IMPERFEITOS


101 Características gerais– Predominância da matéria sobre o Espírito.
Propensão ao mal. Ignorância, orgulho, egoísmo e todas as más paixões
que são suas conseqüências.
Eles têm a intuição de Deus, mas não o compreendem.
Nem todos são essencialmente maus. Entre alguns há mais leviandade,
inconseqüência e malícia do que verdadeira maldade. Alguns não fazem
o bem nem o mal; mas, apenas pelo fato de não fazerem o bem, já
demonstram sua inferioridade. Outros, ao contrário, se comprazem no mal
e ficam satisfeitos quando encontram a ocasião de o fazer.
Podem aliar a inteligência à maldade ou à malícia; mas qualquer que
seja seu desenvolvimento intelectual, suas idéias são pouco elevadas e
seus sentimentos mais ou menos inferiores.
Seus conhecimentos sobre as coisas do mundo espírita são limitados e
o pouco que sabem se confunde com as idéias e os preconceitos da vida
corporal. Eles podem nos dar apenas noções falsas e incompletas, mas o observador
atento encontra, muitas vezes, em suas comunicações imperfeitas,
a confirmação das grandes verdades ensinadas pelos Espíritos Superiores.
Seu caráter se revela pela sua linguagem. Todo Espírito que em suas
comunicações revela um mau pensamento pode ser classificado na terceira
ordem. Por conseqüência, todo mau pensamento que nos é sugerido
vem de um Espírito dessa ordem.
Eles vêem a felicidade dos bons e isso é, para eles, um tormento
incessante, porque sentem todas as agonias que originam a inveja e o
ciúme.
Conservam a lembrança e a percepção dos sofrimentos da vida corporal
e essa impressão é, muitas vezes, mais dolorosa do que a realidade. Sofrem,
verdadeiramente, pelos males que suportaram em vida e pelos que fizeram os
outros sofrer. E como sofrem por longo tempo, acreditam que irão sofrer para
sempre. A Providência, para puni-los, permite que assim pensem (3).
Pode-se dividi-los em cinco classes principais:

102 Décima classe. Espíritos Impuros – São inclinados ao mal e fazem
dele o objeto de suas preocupações. Como Espíritos, dão conselhos
falsos, provocam a discórdia e a desconfiança e se mascaram de todas as
formas para melhor enganar. Eles se ligam às pessoas de caráter mais
fraco, que cedem às suas sugestões, a fim de prejudicá-los, satisfeitos
em poder retardar o seu adiantamento e fazê-las fracassar nas provas por
que passam.
Nas manifestações, esses espíritos são reconhecidos pela linguagem.
A trivialidade e a grosseria das expressões, entre os Espíritos como entre
os homens, é sempre um indício de inferioridade moral ou intelectual. Suas
comunicações revelam a baixeza de suas inclinações e, se tentam enganar
ao falar de uma maneira sensata, não podem sustentar esse papel por
muito tempo, e acabam sempre por denunciar a sua origem.
Alguns povos fizeram desses Espíritos divindades malfazejas; outros
os designaram sob o nome de demônios, maus gênios, espíritos do mal.
Quando estão encarnados, são inclinados a todos os vícios que geram
as paixões vergonhosas e degradantes: a sensualidade, a crueldade,
a mentira, a hipocrisia, a cobiça e a avareza sórdida. Fazem o mal pelo
prazer de fazê-lo e, muitas vezes, sem motivos e por ódio ao bem, escolhem
quase sempre suas vítimas entre as pessoas honestas. São flagelos
para a humanidade, seja qual for a posição da sociedade a que pertençam,
e o verniz da civilização não os livra da baixeza e da desonra.

103 Nona classe. Espíritos Levianos – São ignorantes, maliciosos,
inconseqüentes e zombeteiros. Envolvem-se em tudo, respondem a tudo,
sem se preocupar com a verdade. Comprazem-se em causar pequenos
desgostos e pequenas alegrias, atormentar e induzir maliciosamente ao
erro por meio de mistificações e espertezas. A esta classe pertencem os
Espíritos vulgarmente designados sob os nomes de duendes, trasgos (4),
gnomos, diabretes. Estão sob a dependência dos Espíritos Superiores, que
se utilizam deles, muitas vezes, como fazemos com os nossos servidores.
Nas suas comunicações com os homens, a linguagem é algumas
vezes espirituosa e engraçada, mas quase sempre sem profundidade.
Compreendem os defeitos e o ridículo humanos, exprimindo-os em tiradas
mordazes e satíricas. Se usam nomes supostos, é mais para se divertir
conosco do que por maldade.

104 Oitava classe. Espíritos Pseudo-Sábios – Seus conhecimentos
são bastante amplos, mas acreditam saber mais do que sabem na realidade.
Tendo realizado alguns progressos sob diversos pontos de vista, sua
linguagem tem uma característica séria que pode induzir ao erro e ocasionar
enganos sobre suas capacidades e seus conhecimentos. Mas isso é
apenas um reflexo dos preconceitos e das idéias sistemáticas que con-
servam da vida terrena. É uma mistura de algumas verdades ao lado dos
erros mais absurdos, no meio dos quais sobressai a presunção, o orgulho,
a inveja e a obstinação das quais não puderam se libertar.

105 Sétima classe. Espíritos Neutros – Não são bastante bons para
fazer o bem, nem suficientemente maus para fazer o mal. Inclinam-se tanto
para um quanto para o outro e não se elevam acima da condição comum
da humanidade, tanto pela moral quanto pela inteligência. Eles se prendem
às coisas deste mundo e lamentam a perda das alegrias grosseiras
que nele deixaram.

106 Sexta classe. Espíritos Batedores e Perturbadores – Estes Espíritos
não formam, propriamente falando, uma classe distinta quanto às
qualidades pessoais, podendo pertencer a todas as classes da terceira
ordem. Manifestam, freqüentemente, sua presença por efeitos sensíveis e
físicos, como pancadas, o movimento e o deslocamento anormal dos
corpos sólidos, a agitação do ar, etc. Parecem estar ainda, mais do que
outros, ligados à matéria e ser os agentes principais das variações e transformações
das forças e elementos da natureza no globo, seja ao atuarem
sobre o ar, a água, o fogo, os corpos duros ou nas entranhas da terra.
Reconhece-se que esses fenômenos não se originam de uma causa imprevista
e física, quando têm um caráter intencional e inteligente. Todos os
Espíritos podem produzir esses fenômenos, mas os de ordem elevada
os deixam, geralmente, como atribuições dos subalternos, mais aptos
às coisas materiais do que às da inteligência. Quando julgam que essas
manifestações são úteis, servem-se dos Espíritos dessa classe como seus
auxiliares.


3 - À frente, na questão 258 e seguintes, está explicada a idéia de como a lei atua para o resgate
dos Espíritos (N. E.).
4 - Trasgo: Espírito elementar (N. E.).

terça-feira, 7 de junho de 2011

ESCALA ESPÍRITA


100 Observações preliminares: A classificação dos Espíritos é baseada
no grau de seu adiantamento, nas qualidades que adquiriram e nas imperfeições
de que ainda devam se livrar. Essa classificação não tem nada de
absoluto. Cada categoria apenas apresenta um caráter nítido em seu conjunto,
mas de um grau a outro a transição é insensível e nos extremos as
diferenças se apagam como nos reinos da natureza, nas cores do arcoíris,
ou, ainda, como nos diferentes períodos da vida do homem. Pode-se
formar um número de classes mais ou menos grande, segundo o ponto
de vista de que se considere a questão. Ocorre o mesmo com todos os
sistemas de classificações científicas: esses sistemas podem ser mais ou
menos completos, mais ou menos racionais, mais ou menos cômodos
para a inteligência, mas, quaisquer que sejam, não mudam em nada as
bases da ciência. Assim, os Espíritos interrogados sobre esse ponto pu-
deram variar no número de categorias sem que isso tenha conseqüências.
Armaram-se alguns contestadores da Doutrina com essa contradição
aparente, sem refletir que os Espíritos não dão nenhuma importância ao
que é puramente convencional. Para eles, o pensamento é tudo. Deixam
para nós a forma, a escolha dos termos, as classificações, numa palavra,
os sistemas.
Acrescentamos ainda esta consideração, que jamais se deve perder
de vista: é que entre os Espíritos, assim como entre os homens, há os
muito ignorantes, e nunca será demais se prevenir contra a tendência de
acreditar que todos devem saber tudo só porque são Espíritos. Qualquer
classificação exige método, análise e conhecimento profundo do assunto.
Portanto, no mundo dos Espíritos, aqueles que têm conhecimentos limitados
são, como na Terra, os ignorantes, incapazes de abranger um conjunto
para formular um sistema. Só imperfeitamente conhecem ou compreendem
uma classificação qualquer. Para eles, todos os Espíritos que
lhes são superiores são de primeira ordem, sem que possam apreciar as
diferenças de saber, capacidade e moralidade que os distinguem entre si,
como faria entre nós um homem rude em relação aos homens civilizados.
Mesmo os que têm capacidade de o fazer podem variar nos detalhes, de
acordo com seus pontos de vista, principalmente quando uma divisão
como esta não tem limites fixados, nada de absoluto. Lineu, Jussieu e
Tournefort proclamaram, cada um, seu método, e a botânica não se alterou em
nada por causa disso. É que o método deles não inventou as plantas, nem seus
caracteres. Eles apenas observaram as semelhanças e funções com as quais
depois formaram grupos ou classes. Da mesma maneira procedemos nós. Não
inventamos os Espíritos, nem seus caracteres. Vimos e observamos. Nós os
julgamos por suas palavras e seus atos, depois os classificamos por semelhanças,
baseando-nos em dados que eles próprios nos forneceram.
Os Espíritos admitem geralmente três categorias principais ou três grandes
divisões. Na última, a que está no início da escala, estão os Espíritos
imperfeitos, caracterizados pela predominância da matéria sobre o Espírito
e pela propensão ao mal.
Os da segunda são caracterizados pela predominância do Espírito
sobre a matéria e pelo desejo do bem: esses são os bons Espíritos. Os
da primeira categoria atingiram o grau supremo da perfeição: são os Espíritos
puros.
Essa divisão nos parece perfeitamente racional e apresenta características
bem definidas. Só nos faltava ressaltar, mediante um número
suficiente de subdivisões, as diferenças principais do conjunto. Foi o que
fizemos com o auxílio dos Espíritos, cujas instruções benevolentes nunca
nos faltaram.
Com o auxílio desse quadro será fácil determinar a categoria e o grau
de superioridade ou inferioridade dos Espíritos com os quais podemos
entrar em contato e, por conseguinte, o grau de confiança e de estima que
merecem. É de certo modo a chave da ciência espírita, visto que apenas
ele pode nos explicar as anomalias, as diferenças que apresentam as comunicações,
ao nos esclarecer sobre as desigualdades intelectuais e morais
dos Espíritos. Observaremos, todavia, que nem sempre os Espíritos pertencem
exclusivamente a esta ou aquela classe. Seu progresso apenas
se realiza gradualmente e, muitas vezes, mais num sentido do que em
outro, e podem reunir as características de mais de uma categoria, o que
se pode notar por sua linguagem e seus atos.