quarta-feira, 13 de julho de 2011

RELAÇÕES APÓS A MORTE


274 As diferentes ordens de Espíritos estabelecem entre eles
uma hierarquia de poderes? Existe entre eles subordinação e autoridade?
– Sim, muito grande. Os Espíritos têm uns para com os outros uma
autoridade relativa à sua superioridade, que exercem por uma ascendência
moral irresistível.
274 a Os Espíritos inferiores podem escapar da autoridade dos
superiores?
– Eu disse: irresistível.
275 O poder e a consideração que um homem desfrutou na Terra
lhe dão alguma supremacia no mundo dos Espíritos?
– Não. Os pequenos serão elevados e os grandes rebaixados. Lede
os Salmos (5).
275 a Como devemos entender essa elevação e esse rebaixamento?
– Não sabeis que os Espíritos são de diferentes ordens, de acordo
com seu mérito? Pois bem! O maior da Terra pode estar no último lugar
entre os Espíritos, enquanto seu servidor pode estar no primeiro. Compreendei
isso? Jesus disse: “Todo aquele que se humilhar será elevado e todo
aquele que se elevar será humilhado”.
276 Aquele que foi grande na Terra e se encontra entre os Espíritos
de ordem inferior passa por humilhação?
– Freqüentemente muito grande, principalmente se era orgulhoso e
invejoso.
277 O soldado que, após a batalha, encontra seu general no
mundo dos Espíritos, o reconhece ainda como seu superior?
– O título não é nada; a superioridade real é tudo.
278 Os Espíritos de diferentes ordens se misturam uns com os
outros?
– Sim e não, ou seja, eles se vêem, mas se distinguem uns dos outros
e se afastam ou se aproximam, de acordo com os seus sentimentos, como
acontece entre vós. Constituem um mundo do qual o vosso dá uma vaga
idéia. Os da mesma categoria se reúnem por afinidade e formam grupos
ou famílias de Espíritos unidos pela simpatia e objetivo a que se propuseram:
os bons, pelo desejo de fazer o bem; os maus, pelo desejo de fazer
o mal, pela vergonha de suas faltas e pela necessidade de se encontrar
entre seres semelhantes.
* Exatamente como numa grande cidade, onde os homens de todas
as categorias e condições se vêem e se reencontram sem se confundirem;
onde as sociedades se formam por semelhanças de gostos; onde
o vício e a virtude convivem cada um à sua maneira.
279 Todos os Espíritos têm reciprocamente acesso uns aos outros?
– Os bons vão a toda parte e é preciso que seja desse modo para
que possam exercer sua influência sobre os maus. As regiões habitadas
pelos bons são interditadas aos Espíritos imperfeitos, a fim de que não as
perturbem com suas más paixões.
280 Qual é a natureza das relações entre os bons e os maus
Espíritos?
– Os bons empenham-se em combater as más tendências dos outros,
a fim de ajudá-los a elevar-se; é sua missão.
281 Por que os Espíritos inferiores gostam de nos induzir ao mal?
– Por inveja de não ter merecimento para estar entre os bons. Seu
desejo é impedir, tanto quanto possam, os Espíritos inexperientes de alcançar
o bem supremo; querem que os outros sintam o que eles mesmos
sentem. Não acontece também o mesmo entre vós?
282 Como os Espíritos se comunicam entre si?
– Eles se vêem e se compreendem; a palavra se materializa pelo reflexo
do Espírito. O fluido universal estabelece entre eles uma comunicação
constante; é o veículo da transmissão do pensamento, assim como o ar é
o veículo do som. É uma espécie de telégrafo universal que liga todos os
mundos e permite aos Espíritos comunicarem-se de um mundo a outro.
283 Os Espíritos podem esconder seus pensamentos? Podem
se ocultar uns dos outros?
– Não, para eles tudo está a descoberto, principalmente entre os que
são perfeitos. Podem se afastar uns dos outros, mas sempre se vêem.
Isso não é, entretanto, uma regra absoluta, porque certas categorias de
Espíritos podem muito bem se tornar invisíveis para outros, se julgarem
útilfazê-lo.
284 Como os Espíritos, que não têm mais corpo, podem constatar
a sua individualidade e se distinguir dos outros que os rodeiam?
– Eles constatam sua individualidade pelo perispírito, que os
distingue uns dos outros, assim como pelo corpo se podem distinguir os
homens.
285 Os Espíritos se reconhecem por terem coabitado a Terra? O
filho reconhece seu pai, o amigo reconhece seu amigo?
– Sim, e assim de geração em geração.
285 a Como os homens que se conheceram na Terra se reconhecem
no mundo dos Espíritos?
– Nós vemos nossa vida passada e a lemos como num livro; ao ver
o passado de nosso amigos e inimigos, vemos sua existência da vida
à morte.
286 A alma, ao deixar o corpo logo após a morte, vê imediatamente
parentes e amigos que a precederam no mundo dos Espíritos?
– Imediatamente não é bem a palavra. Como já dissemos, ela precisa
de algum tempo para reconhecer seu estado e se desprender da matéria.
287 Como a alma é acolhida em seu retorno ao mundo dos Espíritos?
– A do justo, como um irmão bem-amado que é esperado há muito
tempo. A do mau, como um ser que se equivocou.
288 Que sentimento têm os Espíritos impuros quando vêem um
mau Espírito chegando até eles?
– Os maus ficam satisfeitos ao ver seres à sua imagem e privados, como
eles, da felicidade infinita, como, na Terra, um perverso entre seus iguais.
289 Nossos parentes e amigos vêm algumas vezes ao nosso
encontro quando deixamos a Terra?
– Sim, eles vêm ao encontro da alma que estimam. Felicitam-na como
no retorno de uma viagem, se ela escapou dos perigos do caminho, e a
ajudam a se despojar dos laços corporais. É a concessão de uma graça
para os bons Espíritos quando aqueles que amam vêm ao seu encontro,
enquanto o infame, o mau, sente-se isolado ou é apenas rodeado por
Espíritos semelhantes a ele: é uma punição.
290 Os parentes e amigos sempre se reúnem depois da morte?
– Isso depende de sua elevação e do caminho que seguem para seu
adiantamento. Se um deles é mais avançado e marcha mais rápido do
que o outro, não poderão permanecer juntos. Poderão se ver algumas
vezes, mas somente estarão para sempre reunidos quando marcharem
lado a lado, ou quando atingirem a igualdade na perfeição. Além disso, a
impossibilidade de ver seus parentes e seus amigos é, algumas vezes,
uma punição.
_________________________________________________
5 - Salmos: livro bíblico do Velho Testamento (N. E.).

terça-feira, 12 de julho de 2011

ESCOLHA DAS PROVAS


258 Na espiritualidade, antes de começar uma nova existência
corporal, o Espírito tem consciência e previsão das coisas que acontecerão
durante sua vida?
– Ele mesmo escolhe o gênero de provas que quer passar. Nisso
consiste seu livre-arbítrio.
258 a Então não é Deus que impõe os sofrimentos da vida como
castigo?
– Nada acontece sem a permissão de Deus, que estabeleceu todas
as leis que regem o universo. Perguntareis, então, por que Ele fez esta lei
em vez daquela. Ao dar ao Espírito a liberdade de escolha, deixa-lhe toda
a responsabilidade de seus atos e de suas conseqüências, nada impede
seu futuro; o caminho do bem está à frente dele, assim como o do mal.
Mas, se fracassa, resta-lhe uma consolação: nem tudo está acabado para
ele. Deus, em sua bondade, deixa-o livre para recomeçar, reparando o
que fez de mal. É preciso, aliás, distinguir o que é obra da vontade de
Deus e o que é obra do homem. Se um perigo vos ameaça, não fostes
vós que o criastes, foi Deus; mas tendes a liberdade de vos expor a ele,
por terdes visto aí um meio de adiantamento, e Deus o permitiu.
259 Se o Espírito tem a escolha do gênero de prova que deve
passar, todas as dificuldades que experimentamos na vida foram previstas
e escolhidas por nós?
– Todas não é a palavra, porque não se pode dizer que escolhestes e
previstes tudo que vos acontece neste mundo, até nas menores coisas.
Vós escolhestes os gêneros das provas; os detalhes são conseqüência
da situação em que viveis e, freqüentemente, de vossas próprias ações.
Se o Espírito quis nascer entre criminosos, por exemplo, sabia dos riscos
a que se exporia, mas não tinha conhecimento dos atos que viria a praticar;
esses atos são efeito de sua vontade ou de seu livre-arbítrio. O Espírito
sabe que, ao escolher um caminho, terá uma luta a suportar; sabe a natureza
e a diversidade das coisas que enfrentará, mas não sabe quais os
acontecimentos que o aguardam. Os detalhes dos acontecimentos nascem
das circunstâncias e da força das coisas. Somente os grandes
acontecimentos que influem na vida estão previstos. Se seguis um caminho
cheio de sulcos profundos, sabeis que deveis tomar grandes
precauções, porque tendes a probabilidade de cair, mas não sabeis em
qual deles caireis; pode ser que a queda não aconteça, se fordes prudente
o bastante. Se, ao passar na rua, uma telha cai na vossa cabeça, não
acrediteis que estava escrito, como se diz vulgarmente.
260 Como o Espírito pode querer nascer entre pessoas de má
conduta?
– É preciso que seja enviado para um meio em que possa se defrontar
com a prova que pediu. Pois bem! É preciso que haja identidade de relações
e semelhanças, que os semelhantes se atraiam: para lutar contra o
instinto do roubo, é preciso que se encontre entre pessoas que roubam.
260 a Se não houvesse pessoas de má conduta na Terra, o Espírito
não encontraria nela o meio necessário para passar por determinadas
provas?
– E seria o caso de lastimar se isso acontecesse? É o que ocorre nos
mundos superiores, onde o mal não tem acesso porque há somente Espíritos
bons. Fazei que o mesmo aconteça na vossa Terra.
261 O Espírito, nas provas que deve passar para atingir a perfeição,
deve experimentar todas as tentações? Deve passar por todas
as circunstâncias que podem incitar o orgulho, a inveja, a avareza, a
sensualidade, etc.?
– Certamente que não, uma vez que sabeis que há Espíritos que,
desde o começo, tomam um caminho que os livra de muitas provas; mas,
aquele que se deixa levar pelo mau caminho corre todos os perigos desse
caminho. Um Espírito, por exemplo, pode pedir a riqueza e esta ser concedida;
então, de acordo com seu caráter, poderá tornar-se avarento ou
pródigo, egoísta ou generoso, ou se entregar a todos os prazeres da sensualidade;
mas isso não quer dizer que tenha que passar forçosamente
por todas essas tendências.
262 Como pode o Espírito em sua origem, simples, ignorante e
sem experiência, escolher uma existência com conhecimento de causa
e ser responsável por essa escolha?
– Deus supre sua inexperiência ao traçar-lhe o caminho que deve seguir,
como o fazeis com uma criança desde o berço. Deixa-o, porém, livre para
escolher, à medida que seu livre-arbítrio se desenvolve. É então que muitas
vezes se extravia ao seguir o mau caminho, se não escuta os conselhos dos
bons Espíritos; é o que se pode chamara queda do homem.
262 a Quando o Espírito usa seu livre-arbítrio, a escolha da existência
corporal depende sempre de sua vontade, ou essa existência
pode ser imposta pela vontade de Deus como expiação?
– Deus sabe esperar: não apressa a expiação. No entanto, perante a
Lei, um Espírito pode ter uma encarnação compulsória quando, por sua
inferioridade, ou má vontade, não está apto a compreender o que lhe poderia
ser mais útil e quando essa encarnação pode servir à sua purificação
e adiantamento, ao mesmo tempo que lhe sirva de expiação.
263 O Espírito faz sua escolha imediatamente após a morte?
– Não, muitos acreditam na eternidade das penas e, como já foi dito,
pensar assim representa para eles um castigo. (Veja a questão 101).
264 Como o Espírito escolhe as provas que quer suportar?
– Ele escolhe as que podem ser para ele uma expiação, pela natureza
de seus erros, e lhe permitam avançar mais rapidamente. Uns podem, ao
escolher, se impor uma vida de misérias e privações para tentar suportá-la
com coragem; outros querem se experimentar nas tentações da riqueza e
do poder, muito perigosas, pelo abuso e o mau uso que delas se possa
fazer e pelas paixões inferiores que desenvolvem; outros, enfim, preferem
se experimentar nas lutas que têm que sustentar em contato com o vício.
265 Se alguns Espíritos escolhem o contato com o vício como
prova, há aqueles que o escolhem por simpatia e desejo de viver num
meio conforme seu gosto, ou para se entregar completamente às tendência
materiais?
– Há, sem dúvida. Mas só fazem essa escolha os que têm o senso
moral ainda pouco desenvolvido; a provação está em viver a escolha que
fizeram e a sofrem por longo tempo. Cedo ou tarde, compreenderão que a
satisfação das paixões brutais traz conseqüências deploráveis, e o sofrimento
lhes parecerá eterno. Poderão permanecer nesse estado até que
se tornem conscientes da falta em que incorreram, e então eles mesmos
pedem a Deus para resgatá-las em provas libertadoras.
266 Não parece natural escolher as provas menos dolorosas?
– Para vós, sim; para o Espírito, não. Quando se está liberto da matéria,
a ilusão cessa e a forma de pensar é outra.
* O homem na Terra, sob a influência das idéias terrenas, vê nas suas
provas apenas o lado doloroso. Por isso lhe pareceria natural escolher
as que, em seu ponto de vista, pudessem se conciliar com os prazeres
materiais. Porém, na vida espiritual, compara esses prazeres ilusórios e
grosseiros com a felicidade inalterável que percebe, e, então, nenhuma
importância dá aos sofrimentos passageiros da Terra. O Espírito pode,
em vista disso, escolher a prova mais rude e, conseqüentemente, a mais
angustiosa existência, na esperança de atingir mais depressa um estado
melhor, como o doente escolhe muitas vezes o remédio mais desagradável
para se curar mais depressa. Aquele que deseja ver seu nome
ligado à descoberta de um país desconhecido não escolhe um caminho
florido; sabe dos perigos que corre, mas também sabe da glória que o
espera se for bem-sucedido.
A doutrina da liberdade na escolha de nossas existências e das
provas que devemos suportar deixa de causar espanto ou surpresa, se
considerarmos que os Espíritos livres da matéria apreciam as coisas de
maneira diferente da nossa. Percebem que há um objetivo, bem mais
sério do que os prazeres ilusórios do mundo e, após cada existência,
vêem o passo que deram e compreendem o que ainda lhes falta de
pureza para atingi-lo. Eis por que se submetem voluntariamente a todas
as alternâncias e às dificuldades da vida corporal, pedindo, eles mesmos,
aquelas que lhes permitam alcançar mais prontamente o objetivo
a que almejam. Não há, portanto, motivo de estranheza no fato de o
Espírito não escolher uma existência mais suave. No estado de imperfeição
em que se acha, o Espírito não pode querer uma existência feliz,
sem amargura; ele a pressente e antevê, e é para atingi-la que procura
melhorar-se.
Não temos, aliás, todos os dias, perante os olhos, exemplos de
experiências parecidas? O que faz o homem que trabalha uma parte de
sua vida, sem trégua nem descanso, para reunir posses que lhe garantam
o bem-estar, senão uma tarefa que se impôs tendo em vista um
futuro melhor? O militar que se arrisca numa missão perigosa, o viajante
que enfrenta os maiores perigos no interesse da ciência ou de sua fortuna;
o que isso representa, senão provas voluntárias que lhes devem
proporcionar honra e proveito, se forem bem-sucedidos? A que não se
submete e não se expõe o homem por seu interesse ou glória? Os concursos
não são também provas voluntárias às quais se submete, para
se elevar na carreira que escolheu? Não se chega a uma posição importante,
qualquer que seja, nas ciências, nas artes, na indústria, senão
passando por posições inferiores que são também provas. A vida humana
é uma cópia da vida espiritual, na qual encontramos, em escala
pequena, todas as mesmas peripécias. Se, na vida terrestre, escolhemos
freqüentemente as provas mais rudes, visando a um objetivo mais
elevado, por que o Espírito, que vê mais longe e para quem a vida terrestre
é apenas um incidente passageiro, não escolheria uma existência
laboriosa e de renúncia, sabendo que ela deve conduzi-lo a uma felicidade
eterna? Aqueles que dizem que, se o homem tem o direito de escolha
de sua existência, pediriam para ser príncipes ou milionários são como
míopes, que vêem apenas o que tocam, ou como crianças gulosas, às
quais, quando se pergunta que profissão pretendem, respondem: pasteleiros
ou confeiteiros.
Como um viajante que, no fundo do vale embaçado pelo nevoeiro,
não vê a distância, nem os pontos extremos de seu caminho; mas, uma
vez chegado ao cume da montanha, divisa o caminho que percorreu e o
que lhe resta percorrer; vê seu objetivo, os obstáculos que ainda tem a
transpor e pode, então, planejar com mais segurança os meios para
atingi-lo. O Espírito encarnado é semelhante ao viajante no fundo do
vale. Liberto dos laços terrestres, sua visão tem o completo domínio da
sua destinação, como aquele que está no cume da montanha. Para o
viajante, o objetivo é o repouso após o cansaço; para o Espírito, é a
felicidade suprema após as dificuldades e as provas.
Todos os Espíritos dizem que, na espiritualidade, pesquisam, estudam
e observam para fazer sua escolha. Não temos um exemplo desse
fato na vida corporal? Não procuramos freqüentemente, durante anos,
a carreira em que fixamos livremente nossa escolha, por acreditarmos
ser a mais apropriada para fazermos nosso caminho? Se fracassamos
numa, escolhemos outra. Cada carreira que abraçamos é uma fase, um
período da vida. Cada dia não é empregado para planejar o que faremos
no dia seguinte? Portanto, o que são as diferentes existências corporais
para o Espírito senão etapas, períodos, dias de sua vida espírita,
que é, como sabemos, sua vida normal, uma vez que a corpórea é apenas
transitória e passageira?
267 O Espírito pode escolher suas provas, quando já encarnado?
– Seu desejo pode ter influência, dependendo da intenção com que
as deseja; mas, como Espírito, vê freqüentemente as coisas muito diferentes.
É apenas o Espírito que faz a escolha; mas, afirmamos mais uma vez,
é possível. Ele pode fazê-la na vida material, porque para o Espírito há
sempre momentos em que fica independente da matéria que habita.
267 a Muitas pessoas desejam poder e riqueza; não é, certamente,
como expiação ou como prova?
– Sem dúvida, é o instinto material que as deseja para delas desfrutar;
já o Espírito as deseja para conhecer todas as alternativas que elas
oferecem.
268 Até que atinja o estado de pureza perfeita, o Espírito tem que
passar constantemente por provas?
– Sim, mas não são como as entendeis, visto que chamais de provas às
adversidades materiais. Porém, o Espírito que atingiu um certo grau, sem ser
ainda perfeito, nada mais tem a suportar; embora sempre tenha deveres que
o ajudam a se aperfeiçoar, e que nada têm para ele de constrangedor ou
angustiante, ainda que seja para ajudar os outros a se aperfeiçoar.
269 O Espírito pode se enganar sobre a eficácia da prova que
escolheu?
– Ele pode escolher uma que esteja acima de suas forças e, então,
fracassar. Pode também escolher alguma que não lhe dê nenhum proveito,
que resulte numa vida ociosa e inútil; mas, então, uma vez de volta ao
mundo dos Espíritos, percebe que nada ganhou e pede para reparar o
tempo perdido, numa outra encarnação.
270 A que se devem as vocações de certas pessoas e seu desejo
de seguir uma carreira em vez de outra?
– Parece-me que vós mesmos podeis responder a essa questão.
Não é a conseqüência de tudo o que dissemos sobre a escolha das provas
e o progresso realizado nas existências anteriores?
271 Ainda na espiritualidade, o Espírito, ao estudar as diversas
condições em que poderá progredir, como pensa poder fazê-lo ao
nascer, por exemplo, entre os povos canibais?
– Espíritos já avançados não nascem entre canibais. Entre eles nascem
Espíritos com a natureza dos canibais, ou que lhe são até inferiores.
* Sabemos que os antropófagos (3) não estão no último grau da escala
evolutiva e que há mundos onde o embrutecimento e a ferocidade ultrapassam
em tudo o que conhecemos na Terra. Esses Espíritos que lá
habitam são ainda inferiores aos mais inferiores de nosso mundo, e nascer
entre os nossos selvagens é para eles um progresso, como seria um
progresso para os antropófagos do nosso globo exercer entre nós uma
profissão que os obrigasse a derramar sangue (4). Se não alcançam o
mais alto é porque sua inferioridade moral não lhes permite compreender
um progresso mais completo. O Espírito não pode avançar senão
gradualmente; não pode transpor de um salto a distância que separa a
barbárie da civilização, e é aí que vemos uma das necessidades da reencarnação,
que está verdadeiramente de acordo com a justiça de Deus.
De outro modo, em que se tornariam esses milhões de seres que morrem
a cada dia no último estado de degradação, se não possuíssem os
meios de atingir a superioridade? Por que Deus os deserdaria dos favores
concedidos aos outros homens?
272 Espíritos vindos de um mundo inferior à Terra ou de um povo
muito atrasado, como os canibais, por exemplo, poderiam nascer entre os
povos civilizados?
– Sim, há os que se desencaminham ao querer subir muito alto. Ficam
desajustados entre vós, porque possuem costumes e instintos que
não se afinam com os vossos.
* Esses seres nos dão o triste espetáculo da ferocidade em meio à
civilização. Ao retornar renascendo entre os canibais, não sofrem uma
queda, uma degradação, apenas voltam aos seus lugares e com isso
talvez até ganhem.
273 Um homem que pertence a uma raça civilizada poderia, por
expiação, reencarnar em uma raça selvagem?
– Sim, mas isso depende do gênero da expiação. Um senhor que
tenha sido cruel com seus escravos poderá tornar-se escravo por sua vez
e sofrer os maus-tratos que fez os outros suportar. Aquele que um dia
comandou poderá, em uma nova existência, obedecer até mesmo àqueles
que se curvaram à sua vontade. É uma expiação que lhe pode ser
imposta, se abusou de seu poder. Um bom Espírito também pode escolher
uma existência em que exerça uma ação influente e encarnar dentre
povos atrasados, para fazer com que progridam, o que, neste caso, é
para ele uma missão.
__________________________________________________________

3 - Antropófago: aquele que come carne humana (N. E.).
4 - Que os obrigasse a derramar sangue (qui les obligerant à verser le sang): Pode causar
estranheza, à primeira vista, a afirmativa de Allan Kardec, a ponto de se pensar que o razoável
seria pela negativa, isto é, que os obrigasse a não derramar sangue, o que faria supor que assim
haveria um grande progresso do Espírito, de matador e carnívoro reencarnaria longe dessas
características num grande salto evolutivo. A Doutrina Espírita não ensina isso; a afirmativa de
Allan Kardec está de acordo com os ensinamentos básicos dos Espíritos do Senhor.
Muitos antropófagos, se tiverem mérito para tanto, podem reencarnar em meio à sociedade
desempenhando funções compatíveis com o progresso coletivo. Respeita-se dessa forma a sua
essência de Espíritos em ascensão, sem que para isso seja necessário que andem de tacape ou
faca em punho “fazendo esguichar sangue” como pode dar a entender a frase ao pé da letra. Está
aí o progresso do Espírito. Reencarna em meio à civilização numa profissão útil que representa
para ele um grande degrau de progresso: da barbárie antropófaga para a civilização (N. E.).

segunda-feira, 11 de julho de 2011

ENSAIO TEÓRICO SOBRE A SENSAÇÃO NOS ESPÍRITOS


257 O corpo é o instrumento da dor. Se não é sua causa primária, é,
pelo menos, a causa imediata. A alma tem a percepção da dor: essa percepção
é o efeito. A lembrança que a alma conserva disso pode ser de muito
sofrimento, mas não pode provocar ação física. De fato, nem o frio, nem o
calor podem desorganizar os tecidos da alma. Ela não pode congelar-se,
nem queimar-se. Não vemos todos os dias a lembrança ou a preocupação
com um mal físico produzir os efeitos desse mal, até mesmo ocasionar a
morte? Todo mundo sabe que as pessoas que tiveram membros amputados
sentem dor no membro que não existe mais. Certamente, não é nesse membro
que está a sede ou o ponto de partida da dor, mas no cérebro, que
conservou a impressão da dor. Podem-se admitir, portanto, reações semelhantes
nos sofrimentos do Espírito após a morte. Um estudo mais aprofundado
do perispírito, que desempenha um papel tão importante em todos os
fenômenos espíritas como nas aparições vaporosas ou tangíveis, como na
circunstância por que o Espírito passa no momento da morte; na idéia tão
freqüente de que ainda está vivo, no quadro tão comovente dos suicidas e
dos que foram martirizados, nos que se deixaram absorver pelos prazeres
materiais e em tantos outros fatos, vieram lançar luz sobre a questão e deram
lugar a explicações que resumimos a seguir.
O perispírito é o laço que une o Espírito à matéria do corpo. O Espírito
é quem o forma, tirando elementos do meio ambiente e do fluido universal.
Ele é formado ao mesmo tempo de eletricidade, fluido magnético e até de
alguma quantidade de matéria inerte. Pode-se dizer que é a matéria puríssima,
o princípio da vida orgânica, mas não da vida intelectual. A vida
intelectual está no Espírito. É, além disso, o agente das sensações exteriores.
No corpo, essas sensações se localizam nos órgãos próprios que
servem de canais condutores. Destruído o corpo, as sensações se tornam
generalizadas. É por isso que o Espírito não diz sofrer mais da cabeça
do que dos pés. É preciso precaução para não confundir as sensações
do perispírito, que se tornou independente, com as do corpo: podemos
tomar essas sensações apenas como comparação, e não como analogia.
Liberto do corpo, o Espírito pode sofrer. Mas esse sofrimento não é corporal,
embora não seja exclusivamente moral, como o remorso, porque se
queixa de frio e calor. Apesar disso, não sofre mais no inverno que no
verão: nós o temos visto atravessar as chamas sem sofrer nada, nenhuma
dor, o fogo não lhe causa nenhuma impressão. A dor que sente não é
física propriamente dita, é um vago sentimento íntimo que o próprio Espírito
nem sempre entende, precisamente porque a dor não está localizada e
não é produzida por agentes externos: é mais uma lembrança do que uma
realidade, mas é uma recordação também dolorosa. Há, entretanto, algumas
vezes, mais que uma lembrança, como iremos ver.
A experiência nos ensina que no momento da morte o perispírito se
desprende mais ou menos lentamente do corpo. Nos primeiros instantes
seguidos ao desencarne, o Espírito não entende a sua situação: não acredita
estar morto, sente-se vivo, vê seu corpo de um lado, sabe que é seu
e não entende por que está separado dele. Essa situação persiste enquanto
o laço entre o corpo e o perispírito não se romper por completo.
Um suicida nos disse: “Não, não estou morto”, e acrescentava:“E, entretanto,
sinto os vermes que me roem”. Porém, seguramente, os vermes
não roíam o seu perispírito, e muito menos o Espírito; roíam-lhe apenas o
corpo. Mas como a separação do corpo e do perispírito não estava concluída,
disso se originava uma espécie de repercussão moral que lhe
transmitia a sensação do que se passava no seu corpo. Repercussão não
é bem a palavra que dê a idéia exata do que ocorre, porque pode fazer
supor um efeito muito material. Era antes e de fato a visão do que se
passava no cadáver, que ainda estava ligado ao seu perispírito, produzindo
nele essa sensação que tomava como real, como autêntica. Desse
modo, não era uma lembrança, uma vez que durante sua vida nunca tinha
sido roído por vermes; era uma sensação nova e atual. Vemos, assim, que
deduções se podem tirar dos fatos, quando observados atentamente.
Durante a vida, o corpo recebe as impressões exteriores e as transmite
ao Espírito por intermédio do perispírito, que constitui, provavelmente, o
que se chama de fluido nervoso. Estando o corpo morto, não sente mais
nada, porque não possui mais Espírito, nem perispírito. O perispírito, desprendido
do corpo, experimenta a sensação, mas como ela não lhe chega
mais por um canal limitado, próprio, torna-se geral. Portanto, como o perispírito
é na realidade um agente de transmissão das sensações que se
produzem do corpo para o Espírito, porque é no Espírito que está a consciência,
disso se deduz que, se pudesse existir perispírito sem Espírito, ele
não sentiria mais do que sente um corpo morto. Da mesma forma, se o
Espírito não tivesse perispírito, seria inacessível a qualquer sensação dolorosa,
como ocorre com os Espíritos completamente purificados. Sabemos
que, quanto mais o Espírito se purifica, mais a essência do perispírito se
torna etérea, do que se conclui que a influência material diminui à medida
que o Espírito progride e, por conseqüência, o próprio perispírito torna-se
menos grosseiro.
Mas, dirão, as sensações agradáveis são transmitidas ao Espírito por
meio do perispírito, da mesma forma que as sensações desagradáveis;
sendo o Espírito puro inacessível a umas, deve ser igualmente inacessível
a outras. Sim, sem dúvida, assim é de fato para as sensações que provêm
unicamente da influência da matéria que conhecemos, por exemplo: o
som de nossos instrumentos e o perfume de nossas flores não lhes causam
nenhuma impressão. Porém, o Espírito têm sensações íntimas de um
encanto indefinível, das quais não podemos fazer nenhuma idéia, por sermos,
a esse respeito, como cegos de nascença perante a luz: sabemos
que elas existem, mas por que meio se produzem não o sabemos. Termina
aí nossa ciência. Sabemos que o Espírito têm percepção, sensação,
audição, visão; que essas faculdades são generalizadas por todo o ser, e
não, como no homem, só em uma parte do seu ser. Mas de que modo ele
as tem? É o que não sabemos. Os próprios Espíritos não podem nos dar
idéia precisa, porque a nossa linguagem não pode exprimir idéias que não
conhecemos, da mesma forma que para os selvagens não há termos para
exprimir nossas artes, ciências e doutrinas filosóficas.
Ao dizer que os Espíritos são inacessíveis às impressões de nossa
matéria, estamos nos referindo aos Espíritos muito elevados, cujo envoltório
etéreo não tem nada de semelhante ao que conhecemos aqui na Terra.
O mesmo não ocorre com os de perispírito mais denso: estes percebem
nossos sons e odores, mas não por uma parte limitada de sua individualidade,
como quando encarnados. Pode-se dizer que neles as vibrações
moleculares se fazem sentir em todo seu ser e chegam assim ao seu
sensorium commune (2), que é o próprio Espírito, embora de um modo diferente,
o que produz uma modificação na percepção. Eles ouvem o som de
nossa voz e, no entanto, nos compreendem sem necessidade da palavra,
apenas pela transmissão do pensamento; isso vem em apoio ao que
dissemos: a percepção dessas vibrações é tão mais fácil quanto mais
desmaterializado está o Espírito. Quanto à visão, é independente de nossa
luz. O dom da visão é um atributo essencial da alma, para ela não há
obscuridade; mas é mais ampla e penetrante para os que estão mais purificados.
A alma ou o Espírito tem nela mesma todos os dons e recursos
de todas as percepções. Na vida corporal são limitados pela grosseria dos
órgãos físicos; na vida extracorporal são cada vez menos limitados, à medida
que menos denso se torna o envoltório semimaterial.
Esse envoltório, o perispírito, tirado do meio ambiente, varia de acordo
com a natureza dos mundos. Ao passar de um mundo para outro, os
Espíritos mudam de envoltório, assim como mudamos de roupa quando
passamos do inverno para o verão, ou de um pólo para o Equador. Os
Espíritos mais elevados, quando vêm nos visitar, se revestem do perispírito
terrestre e, assim, suas percepções são como as dos Espíritos do lugar
onde estão. Porém, todos, tanto inferiores quanto superiores, apenas ouvem
e sentem o que querem ouvir ou sentir. Tendo em vista que não possuem
os órgãos sensitivos, podem tornar, à vontade, suas percepções
ativas ou nulas; há apenas uma situação a que são obrigados: a de ouvir
os conselhos dos bons Espíritos. A visão é sempre ativa, mas podem
reciprocamente se tornar invisíveis uns aos outros. De acordo com a posição
que ocupam, podem se ocultar dos que lhes são inferiores, mas não
dos superiores. Nos primeiros momentos que se seguem ao desencarne,
a visão do Espírito é sempre perturbada e confusa; porém, vai se aclarando
à medida que se liberta do corpo físico e pode adquirir nitidez igual à
que tinha durante a vida terrena, além de contar com a possibilidade de
poder ver através dos corpos que são opacos para nós. Quanto a poder
alcançar a visão do espaço infinito, do futuro e do passado, depende do
grau de pureza e da elevação do Espírito.
Toda essa teoria, alegarão alguns, não é nada tranqüilizadora. Pensávamos
que uma vez livres do corpo, instrumento de nossas dores, não
sofreríamos mais. Agora nos dizeis que ainda sofreremos, desta ou daquela
forma, mas que será sempre sofrimento. Ah, sim! Podemos ainda
sofrer, e muito, por um longo tempo, mas podemos também parar de sofrer,
já desde o instante em que deixarmos a vida corporal.
Os sofrimentos aqui da Terra, algumas vezes, independem de nós,
mas muitos são as conseqüências da nossa vontade, e se buscarmos as
origens constataremos que, em sua maior parte, resultam de causas que
poderíamos evitar. Quantos males, quantas enfermidades o homem não
deve aos seus excessos, à sua ambição, às suas paixões? O homem que
sempre tivesse vivido sobriamente, que não tivesse cometido abusos, que
sempre tivesse sido simples em seus gostos, modesto em seus desejos,
se pouparia de muitos sofrimentos. O mesmo acontece com o Espírito: as
angústias que enfrenta são a conseqüência da maneira como viveu na
Terra. Sem dúvida, não terá mais artrite nem reumatismo, mas terá outros
sofrimentos que não são menores. Temos visto que os sofrimentos que
sente são causados pelos laços que ainda existem entre ele e a matéria e,
quanto mais se desmaterializa, menos tem sensações dolorosas. Portanto,
depende do homem querer libertar-se dessa influência já em vida; tem
seu livre-arbítrio e, conseqüentemente, a escolha entre fazer e não fazer.
Que ele dome suas paixões brutais, não tenha ódio, inveja, ciúme, nem
orgulho; que purifique sua alma pelos bons sentimentos; que faça o bem;
que dê às coisas deste mundo a importância que merecem; então, ainda
no corpo físico, já estará purificado, desprendido da matéria, e quando o
deixar não sofrerá mais sua influência. Os sofrimentos físicos que experimentou
não deixarão nenhuma lembrança dolorosa; não restará nenhuma
impressão desagradável, porque afetou apenas o corpo e não o Espírito.
Ficará feliz por estar livre delas, e a calma de sua consciência o livrará de
todo sofrimento moral.
Interrogamos milhares de Espíritos que haviam pertencido a todas as
classes da sociedade e a todas as posições sociais, quando na Terra.
Nós os estudamos em todos os períodos de sua vida espírita, desde o
instante em que deixaram o corpo; nós os seguimos passo a passo na
vida após a morte para observar as mudanças que se operavam neles,
nas idéias, nas sensações. E sob esse aspecto, os homens mais simples
foram os que nos forneceram materiais de estudo mais preciosos, porque
notamos sempre que os sofrimentos estão relacionados à conduta que
tiveram na vida corpórea da qual sofrem as conseqüências, e que essa
nova existência é fonte de uma felicidade indescritível para aqueles que
seguiram o bom caminho. Deduz-se que sofrem porque merecem e só
podem queixar-se de si mesmos, tanto neste quanto no outro mundo.
_____________________________________________

2 - Sensorium commune: expressão latina usada em medicina e em anatomia, que significa
sede da sensação, da sensibilidade (N. E.).

quinta-feira, 7 de julho de 2011

PERCEPÇÕES, SENSAÇÕES E SOFRIMENTOS DOS ESPÍRITOS


237 A alma, quando está no mundo dos Espíritos, ainda possui
as percepções que possuía em sua vida física?
– Sim. Tem também outras que não possuía, porque o seu corpo era
como um véu que as dificultava e obscurecia. A inteligência é um dos
atributos do Espírito que se manifesta mais livremente quando não tem
entraves.
238 As percepções e os conhecimentos dos Espíritos são ilimitados;
numa palavra, eles sabem todas as coisas?
– Quanto mais se aproximam da perfeição, mais sabem. Se são Espíritos
Superiores, sabem muito. Os Espíritos inferiores são mais ou menos
ignorantes sobre todas as coisas.
239 Os Espíritos conhecem o princípio das coisas?
– Conhecem de acordo com sua elevação e pureza. Os Espíritos
inferiores não sabem mais que os homens.
240 Os Espíritos compreendem o tempo como nós?
– Não. É por isso que vós também não nos compreendeis quando se
trata de fixar datas ou épocas.
* A idéia e a ação do tempo para os Espíritos não são como nós os
compreendemos. O tempo, para eles, é nulo, por assim dizer, e os séculos,
tão longos para nós, são, a seus olhos, apenas instantes que se
perdem na eternidade, como o relevo do solo se apaga e desaparece
para quem o vê de longe quando se eleva no espaço.
241 Os Espíritos têm uma idéia do presente mais precisa e exata
do que nós?
– Do mesmo modo que aquele que vê claramente as coisas tem uma
idéia mais exata do que um cego. Os Espíritos vêem o que não vedes;
logo, julgam de modo diferente de vós. Mas lembramos mais uma vez:
isso depende da elevação de cada um.
242 Como é que os Espíritos têm conhecimento do passado?
Para eles, esse conhecimento é ilimitado?
– O passado, quando nos ocupamos dele, é o presente, torna-se
vivo, exatamente como lembrais do que vos impressionou fortemente durante
um período, ou numa viagem a um lugar longínquo e estranho. Como
Espíritos, já não temos mais o véu material a nos obscurecer a inteligência,
eis por que nos lembramos das coisas que estão apagadas para vós. Mas
os Espíritos não conhecem tudo, a começar pela sua própria criação.
243 Os Espíritos conhecem o futuro?
– Isso também depende da sua elevação. Muitas vezes apenas o
entrevêem, mas nem sempre lhes é permitido revelá-lo. Quando o vêem,
parece-lhes presente. O Espírito adquire a visão do futuro mais claramente
à medida que se aproxima de Deus. Após desencarnar, a alma vê e abrange
num piscar de olhos suas migrações passadas, mas não pode ver o
que Deus lhe reserva. Para isso é preciso que esteja integrada a Deus,
após muitas e muitas existências.
243 a Os Espíritos que atingem a perfeição absoluta têm conhecimento
completo do futuro?
– Completo não é bem a palavra. Só Deus é o Soberano Senhor e
ninguém pode se igualar a Ele.
244 Os Espíritos vêem Deus?
– Só os Espíritos Superiores O vêem e O compreendem. Os Espíritos
inferiores O sentem e O pressentem física, moral e espiritualmente.
244 a Quando um Espírito inferior diz que Deus lhe proíbe ou lhe
permite uma coisa, como sabe que isso vem de Deus?
– Ele não vê a Deus, mas sente Sua soberania e, quando uma coisa
não pode ser feita, ou uma palavra não pode ser dita, sente como intuição,
uma advertência invisível que o proíbe de fazê-lo. Vós mesmos não tendes
pressentimentos que são como advertências secretas, para fazer ou não
isso ou aquilo? O mesmo ocorre conosco, apenas num grau superior.
Deveis compreender que a essência dos Espíritos, sendo mais sutil que a
vossa, lhes dá a possibilidade de melhor receber as advertências divinas.
244 b A ordem é transmitida por Deus ou por intermédio de outros
Espíritos?
– Ela não vem diretamente de Deus. Para se comunicar com Deus,
preciso é ser digno disso. Deus transmite Suas ordens por Espíritos que
se encontram muito elevados em perfeição e instrução.
245 O dom da visão, nos Espíritos, é limitado e localizado, como
nos seres corporais?
– Não; a visão está neles como um todo.
246 Os Espíritos têm necessidade da luz para ver?
– Vêem por si mesmos e não têm necessidade da luz exterior. Para
eles, não há trevas, a não ser aquelas em que podem se encontrar por
expiação.
247 Os Espíritos têm necessidade de se transportar para ver em
dois lugares diferentes? Eles podem, por exemplo, ver simultaneamente
os dois hemisférios do globo?
– Como o Espírito se transporta com a rapidez do pensamento, podese
dizer que vê tudo de uma só vez, em todos os lugares. Seu pensamento
pode irradiar e se dirigir, ao mesmo tempo, a vários pontos diferentes, mas
essa qualidade depende de sua pureza. Quanto menos for depurado, mais
sua visão estará limitada. Só Espíritos Superiores podem ter uma visão do
conjunto.
* O dom de ver, nos Espíritos, é uma propriedade inerente à sua natureza
e irradia em todo o seu ser, como a luz se irradia de todas as partes de
um corpo luminoso. É uma espécie de lucidez universal que se estende a
tudo, envolve num só lance o espaço, os tempos e as coisas e para a qual
não há trevas ou obstáculos materiais. Compreende-se que deva ser assim.
No homem, a visão funciona por meio de um órgão impressionado
pela luz e, sem luz, fica na obscuridade. No Espírito, como o dom da visão
é um atributo próprio, sendo desnecessário qualquer agente exterior, a visão
não depende de luz. (Veja “Ubiqüidade”, questão 92.)
248 O Espírito vê as coisas tão distintamente quanto nós?
– Mais distintamente, porque a sua visão penetra no que não podeis
penetrar. Nada a obscurece.
249 O Espírito percebe os sons?
– Sim. Percebe até os que vossos rudes sentidos não podem perceber.
249 a O dom, a capacidade de ouvir, está em todo o seu ser,
assim como a de ver?
– Todas as percepções são atributos do Espírito e fazem parte do seu
ser. Quando está revestido de um corpo material, as percepções do exterior
apenas lhe chegam pelo canal dos órgãos correspondentes. Porém,
no estado de liberdade, essas percepções deixam de estar localizadas.
250 Sendo as percepções atributos próprios do Espírito, pode
deixar de usá-las?
– O Espírito só vê e ouve o que quer. Isso de uma maneira geral e,
sobretudo, para os Espíritos elevados. Já em relação aos que são imperfeitos,
queiram ou não, ouvem e vêem freqüentemente aquilo que pode
ser útil a seu adiantamento.
251 Os Espíritos são sensíveis à música?
– Quereis falar de vossa música? O que é ela perante a música celeste
cuja harmonia nada na Terra vos pode dar uma idéia? Uma está para a
outra como o canto de um selvagem está para uma suave melodia. Entretanto,
Espíritos vulgares podem sentir um certo prazer ao ouvir vossa música,
porque ainda não são capazes de compreender uma mais sublime. A música
tem para os Espíritos encantos infinitos, em razão de suas qualidades
sensitivas bastante desenvolvidas. A música celeste é tudo o que a imaginação
espiritual pode conceber de mais belo e mais suave.
252 Os Espíritos são sensíveis às belezas da natureza?
– As belezas naturais dos globos são tão diferentes que se está longe
de as conhecer; mas os Espíritos são sensíveis, sim, a essas belezas,
sensíveis conforme sua aptidão em apreciá-las e compreendê-las. Para
os Espíritos elevados há belezas de conjunto diante das quais desaparecem,
por assim dizer, as belezas de detalhes.
253 Os Espíritos sentem nossas necessidades e sofrimentos físicos?
– Eles os conhecem, porque os sofreram, passaram por eles; mas
não os sentem como vós, materialmente, porque são Espíritos.
254 Os Espíritos sentem cansaço e a necessidade do repouso?
– Não podem sentir o cansaço como o entendeis; conseqüentemente,
não têm necessidade de repouso corporal como o vosso, uma vez que
não possuem órgãos cujas forças devam ser reparadas. Mas o Espírito
repousa, no sentido de que não tem uma atividade constante, embora
não atue de uma maneira material. Sua ação é toda intelectual e seu repouso,
inteiramente moral; ou seja, há momentos em que seu pensamento
deixa de ser tão ativo e não mais se fixa num objetivo determinado. Esse
instante é um verdadeiro repouso, mas não é comparável ao do corpo. O
cansaço que podem sentir os Espíritos está em razão de sua inferioridade,
visto que, quanto mais elevados, menos o repouso lhes é necessário.
255 Quando um Espírito diz que sofre, que sofrimento sente?
– Angústias morais, que o torturam mais dolorosamente do que os
sofrimentos físicos.
256 Como é que alguns Espíritos se queixam de sofrer de frio e
de calor?
– Lembrança do que tinham sofrido durante a vida, muitas vezes
mais aflitiva que a realidade. É freqüentemente uma comparação com que,
na falta de coisa melhor, exprimem sua situação. Quando se lembram do
seu corpo, experimentam uma espécie de impressão, como quando se
tira um casaco e se tem a sensação, por um tempo, que ainda se está
vestido.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

MUNDOS TRANSITÓRIOS


234 Existem, como já foi dito, mundos que servem aos Espíritos
errantes como estâncias transitórias ou locais de repouso?
– Sim, existem. São particularmente destinados aos seres errantes,
que podem neles habitar temporariamente. São como acampamentos,
campos para repousar de uma erraticidade bastante longa, condição sempre
um tanto angustiante. São posições intermediárias entre os outros
mundos, graduados de acordo com a natureza dos Espíritos que podem
alcançá-los e onde podem desfrutar de um bem-estar relativamente maior
ou menor, conforme o caso.
234 a Os Espíritos que habitam esses mundos podem deixá-los
quando querem?
– Sim, os Espíritos podem deixá-los para irem aonde devem ir. Imaginai-
os como pássaros de passagem pousando numa ilha, esperando refazer
suas forças para alcançar seu objetivo.
235 Os Espíritos progridem durante sua estada nos mundos transitórios?
– Certamente. Os que neles se reúnem é com o objetivo de se instruir
e poder mais facilmente obter a permissão de alcançar lugares melhores e
chegar à posição que os eleitos atingem.
236 Os mundos transitórios, por sua natureza especial, são perpetuamente
destinados aos Espíritos errantes?
– Não; a posição deles é apenas temporária.
236 a Esses mundos são, ao mesmo tempo, habitados por seres
corporais?
– Não; a superfície é estéril. Aqueles que os habitam não têm necessidade
de nada.
236 b Essa esterilidade é permanente e resulta de sua natureza
especial?
– Não, são estéreis transitoriamente.
236 c Esses mundos são, por isso, desprovidos de belezas naturais?
– A natureza se reflete nas belezas da imensidade, que são tão admiráveis
quanto o que chamais de belezas naturais.
236 d Visto que o estado desses mundos é transitório, a Terra
estará um dia nesse mesmo estado?
– Ela já esteve.
236 e Em que época?
– Durante sua formação.
* Nada é inútil na natureza; tudo tem seu objetivo, sua finalidade. Nada
está vazio, tudo está habitado, a vida está por todos os lugares. Desse
modo, durante a longa série de séculos que se escoaram antes da aparição
do homem sobre a Terra, durante esses lentos períodos de transição
atestados pelas camadas geológicas, antes mesmo da formação
dos primeiros seres orgânicos sobre essa massa informe, nesse caos
árido onde os elementos estavam desordenados, não havia ausência de
vida. Seres que não possuíam nem necessidades nem sensações físicas
como as nossas, nela encontravam refúgio. Deus quis que, até mesmo
nesse estado imperfeito, a Terra servisse para alguma coisa. Quem ousaria
dizer que entre esses milhares de mundos que circulam na imensidão
universal apenas um, um dos menores, perdido na vastidão, tivesse o
privilégio exclusivo de ser povoado? Qual seria a utilidade dos outros?
Deus os teria feito apenas para recreação dos nossos olhos? Suposição
absurda, incompatível com a sabedoria que emana de todas as Suas
obras e inadmissível quando se pensa na existência de todas as que
não podemos perceber. Ninguém contestará que nessa idéia da existência
de mundos ainda impróprios à vida material e, entretanto, povoados
de seres com vida apropriada ao seu meio, há algo de grandioso e sublime,
em que se encontra, talvez, a solução de mais de um problema.

terça-feira, 5 de julho de 2011

VIDA ESPÍRITA

ESPÍRITOS ERRANTES
223 A alma reencarna imediatamente após a separação do
corpo?
– Algumas vezes pode reencarnar imediatamente, mas normalmente
só após intervalos mais ou menos longos. Nos mundos superiores, a reencarnação
é quase sempre imediata. Nesses mundos em que a matéria
corporal é menos grosseira, o Espírito, quando encarnado, desfruta de
quase todos os seus atributos de Espírito. Seu estado normal é semelhante
ao dos vossos sonâmbulos lúcidos.
224 Em que se torna a alma no intervalo das encarnações?
– Espírito errante que aguarda nova oportunidade e a espera.
224 a Qual a duração desses intervalos?
– De algumas horas a alguns milhares de séculos. Não há, propriamente
falando, limite extremo estabelecido para o estado de erraticidade,
que pode se prolongar por muito tempo, mas que nunca é perpétuo. O
Espírito sempre encontra, cedo ou tarde, a oportunidade de recomeçar
uma existência que sirva de purificação às suas existências anteriores.
224 b Essa duração está subordinada à vontade do Espírito ou
pode ser imposta como expiação?
– É uma conseqüência do livre-arbítrio. Os Espíritos têm perfeita consciência
do que fazem, mas para alguns é também uma punição que a
Providência lhes impõe (1). Outros pedem para que se prolongue, a fim de
progredirem nos estudos que só podem ser feitos com proveito na condição
de Espírito.
225 A erraticidade é, por si mesma, um sinal de inferioridade dos
Espíritos?

– Não, porque existem Espíritos errantes de todos os graus. A encarnação
é para o Espírito um estado transitório. Como já dissemos, em seu
estado normal, o Espírito está liberto da matéria.
226 Todos os Espíritos que não estão encarnados são errantes?
– Daqueles que devem reencarnar, sim. Mas os Espíritos puros que
atingiram a perfeição não são errantes: seu estado é definitivo.
* Os Espíritos, com relação às qualidades íntimas, são de diferentes
ordens ou graus que vão avançando sucessivamente à medida que
se depuram. Quanto ao estado em que se acham, podem ser: encarnados,
ou seja, unidos a um corpo; errantes, quer dizer, despojados do
corpo material à espera de uma nova encarnação para se aperfeiçoarem;
Espíritos puros, perfeitos, que não têm mais necessidade de
encarnação.
227 De que maneira os Espíritos errantes se instruem? É como nós?
– Eles estudam seu passado e procuram os meios de se elevar. Vêem,
observam o que se passa nos lugares que percorrem; ouvem os ensinamentos
dos homens esclarecidos e os conselhos dos Espíritos mais
elevados que eles e isso lhes inspira idéias que não tinham antes.
228 Os Espíritos conservam algumas das paixões humanas?
– Os Espíritos elevados, ao se libertarem do corpo, deixam as más
paixões e apenas guardam as do bem. Mas os Espíritos inferiores as conservam;
de outra forma, seriam de primeira ordem.
229 Por que os Espíritos, ao deixar a Terra, não deixam também
todas as más paixões, uma vez que vêem os seus inconvenientes?
– Tendes neste mundo pessoas que são excessivamente invejosas;
acreditais que, quando o deixam, perdem esse defeito? Após a partida da
Terra, principalmente para os que tiveram paixões muito intensas, uma
espécie de atmosfera os acompanha, os envolve e todas essas coisas
ruins se conservam, porque o Espírito ainda está impregnado das vibrações
da matéria. Entrevê a verdade apenas por alguns momentos, como
para ter noção do bom caminho.
230 O Espírito progride na erraticidade?
– Pode melhorar-se muito, sempre de acordo com sua vontade e seu
desejo. Mas é na existência corporal que põe em prática as novas idéias
que adquiriu.
231 Os Espíritos errantes são felizes ou infelizes?
– São felizes ou infelizes de acordo com seu mérito. São infelizes e
sofrem por causa das paixões das quais ainda conservaram a essência ou
são felizes segundo estejam mais ou menos desmaterializados. No estado
de erraticidade, o Espírito entrevê o que lhe falta para ser mais feliz e procura
os meios de alcançá-lo. Porém, nem sempre lhe é permitido reencarnar
conforme sua vontade, o que para ele é uma punição.
232 No estado de erraticidade, os Espíritos podem ir a todos os
mundos?
– Depende. Quando o Espírito deixa o corpo, não está, apesar disso,
completamente desprendido da matéria e ainda pertence ao mundo onde
viveu ou a um do mesmo grau, a menos que, durante sua vida, tenha se
elevado; esse é, aliás, o objetivo a que deve pretender, sem o que nunca
se aperfeiçoará. Ele pode, entretanto, ir a alguns mundos superiores, mas
nesse caso é como um estranho. Consegue, na verdade, apenas os entrever
e isso é o que lhe dá o desejo de se aperfeiçoar para ser digno da
felicidade que lá se desfruta e poder habitá-los mais tarde.
233 Os Espíritos já purificados vão aos mundos inferiores?
– Vão muitas vezes a fim de ajudá-los a progredir. Senão esses mundos
ficariam entregues a si mesmos, sem guias para dirigi-los.


1 - Veja “Escolha das provas”, questão 258 e seguintes, 615, e especialmente a questão 963
e seguintes, (N. E.).

sexta-feira, 1 de julho de 2011

CONSIDERAÇÕES SOBRE A PLURALIDADE DAS EXISTÊNCIAS



222 O dogma da reencarnação, dizem algumas pessoas, não é novo;
foi tomado de Pitágoras (1). Nós nunca dissemos que a Doutrina Espírita é
invenção moderna. Os fatos espíritas, o Espiritismo, sendo uma lei da natureza,
deve existir desde a origem dos tempos, e sempre nos esforçamos
para provar que se encontram traços dele desde a mais alta Antiguidade.
Pitágoras, como se sabe, não é o autor da metempsicose (2); ele a tomou
dos filósofos indianos e egípcios, que a conheciam desde tempos imemoriais.
A idéia da transmigração das almas era uma crença comum, admitida
pelos homens mais eminentes. Por qual meio chegou até eles? Foi por
revelação ou por intuição? Não sabemos. Mas, seja como for, uma idéia
não atravessa os tempos e não é aceita por inteligências de elite se não
tiver algo de sério. A antiguidade dessa doutrina seria mais uma prova a
seu favor do que uma objeção. Todavia, entre a metempsicose dos antigos
e a doutrina moderna da reencarnação há, como se sabe, uma grande
diferença que os Espíritos rejeitam de maneira mais absoluta. É a da transmigração
da alma do homem para os animais e vice-versa.
Os Espíritos, ao ensinarem o dogma da pluralidade das existências
corporais, renovam, portanto, uma doutrina proveniente das primeiras idades
do mundo e que se conservou até nossos dias no pensamento íntimo
de muitas pessoas. Os Espíritos apenas a apresentam sob um ponto de
vista racional, mais de acordo com as leis progressivas da natureza e mais
em harmonia com a sabedoria do Criador, livre de todos os acessórios da
superstição. Uma circunstância digna de nota é que não foi apenas neste
livro que os Espíritos a ensinaram nos últimos tempos: já antes da sua
publicação, numerosas comunicações semelhantes haviam sido obtidas
em diversos países e depois se multiplicaram de forma extraordinária. Seria
talvez o caso de examinarmos aqui as razões por que todos os Espíritos
não parecem estar de acordo sobre esta questão. Mais à frente voltaremos
a esse assunto.
Examinemos a questão sob outro ponto de vista e façamos uma separação,
deixando de lado toda intervenção dos Espíritos por enquanto.
Suponhamos que esta teoria não foi dada por eles, e que até mesmo
nunca se abordou esta questão com os Espíritos. Coloquemo-nos, momentaneamente,
num terreno neutro, admitindo o mesmo grau de
probabilidade para uma e outra hipótese, isto é, a pluralidade e a unicidade
das existências corporais. Vejamos para qual lado nos guiará o nosso
interesse e a razão.
Certas pessoas rejeitam a idéia da reencarnação pelo único motivo
de que ela não lhes convém, dizendo ser-lhes suficiente uma só existência
e que não gostariam de recomeçar outra parecida. Reconhecemos que o
simples pensamento de reaparecer na Terra as faz pular de furor. É compreensível
que o simples pensamento de terem de reaparecer na Terra as
faça ficar furiosas. Mas a estes convém apenas lembrar se acaso Deus,
para reger o universo, tenha que pedir-lhes conselho ou consultar seus
gostos. Portanto, de duas coisas, uma: ou a reencarnação existe ou não
existe. Se existe, embora as contrarie, será preciso enfrentá-la sem que
Deus lhes peça permissão para isso. Essas pessoas parecem-se com um
doente que diz: “Sofri o bastante por hoje, não quero mais sofrer amanhã”.
Mas, apesar de seu mau humor, não terá, por isso, que sofrer menos
amanhã e nos dias seguintes, até que esteja curado. Portanto, se tiverem
de viver de novo, corporalmente, reviverão, reencarnarão. Protestarão inutilmente,
como a criança que não quer ir à escola ou o condenado, para a
prisão. Será preciso que passem por isso. Objeções semelhantes são
muito ingênuas para merecer um exame mais sério. Diremos, entretanto,
para tranqüilizá-las, que o que a Doutrina Espírita ensina sobre a reencarnação
não é tão terrível quanto lhes parece; se a estudassem a fundo, não
ficariam tão assustadas, saberiam que a condição dessa nova existência
depende delas; serão felizes ou infelizes de acordo com o que tiverem
feito aqui na Terra e podem, a partir dessa vida, se elevar tão alto que não
temerão mais a queda no lodaçal.
Supomos falar a pessoas que acreditem num futuro qualquer depois
da morte e não àquelas que tomam o nada por perspectiva ou que
querem fazer desaparecer sua alma num todo universal, sem individualidade,
exatamente como as gotas de chuva somem no oceano. Se, portanto,
acreditais num futuro qualquer, não admitireis, sem dúvida, que seja o
mesmo para todos, porque, senão, onde estaria a utilidade do bem? Por
que se reprimir? Por que não satisfazer a todas as paixões, todos os desejos,
mesmo à custa dos outros, uma vez que por isso não se ficaria nem
melhor nem pior? Credes, ao contrário disso, que esse futuro será mais ou
menos feliz ou infeliz, de acordo com o que tivermos feito durante a vida?
Tendes a esperança de que seja tão feliz quanto possível, uma vez que é
pela eternidade? Teríeis, por acaso, a pretensão de vos considerar um
dentre os homens mais perfeitos que já existiram sobre a Terra e de ter,
assim, o direito de alcançar imediatamente a felicidade suprema dos eleitos?
Não. Admitis que existem homens com valores maiores do que os
vossos e que têm o direito a um lugar melhor, sem que com isso estejais
entre os condenados. Pois bem! Colocai-vos mentalmente por um instan-
te nessa situação intermediária que seria a vossa, como acabastes de
reconhecer, e imaginai que alguém venha vos dizer: “Sofreis, não sois tão
felizes quanto poderíeis ser, enquanto tendes diante de vós seres que
desfrutam de uma felicidade perfeita; quereis mudar vossa posição com a
deles?” Sem dúvida, direis: “Que é preciso fazer?” “Muito pouco, muito
simples. Recomeçar o que fizestes mal e procurar fazê-lo melhor”. Hesitaríeis
em aceitar esta proposta mesmo a preço de muitas existências de
provações? Façamos outra comparação simples. Se viessem dizer a um
homem que, embora não estando entre os últimos dos miseráveis, sofresse
privações pela escassez de seus recursos: “Eis ali uma imensa fortuna,
podeis dela desfrutar, sendo preciso para isso trabalhar arduamente durante
um minuto”. Mesmo o mais preguiçoso da Terra diria sem hesitar:
“Trabalharei um minuto, dois, uma hora ou um dia se for preciso; que importa
isso, se vou terminar minha vida na abundância?” Portanto, o que é
a duração da vida corpórea perante a eternidade? Menos de um minuto,
menos de um segundo.
Temos visto algumas pessoas raciocinarem deste modo: Deus, que é
soberanamente bom, não pode impor ao homem recomeçar uma série de
misérias e dificuldades. Por acaso, consideram essas pessoas que
há em Deus mais justiça e bondade quando condena o homem a um sofrimento
perpétuo, por alguns momentos de erro, do que quando lhe dá os
meios de reparar suas faltas? Dois industriais tinham, cada um, um operário
que podia aspirar a tornar-se sócio da empresa. Aconteceu que esses dois
trabalhadores empregaram certa vez muito mal o dia de trabalho e mereciam
ambos ser despedidos. Um dos patrões despediu o operário, apesar de suas
súplicas, e este, não tendo mais encontrado trabalho, morreu na miséria. O
outro disse ao seu empregado: “Perdeste um dia de serviço, tu me deves um
outro como recompensa. Fizeste mal o teu trabalho, me deves a reparação;
eu te permito recomeçar, trata de o fazer bem e eu te conservarei, e poderás
sempre aspirar à posição superior que te prometi”. É necessário perguntar
qual dos dois patrões foi o mais humano? Deus, que é a própria clemência,
seria mais impiedoso do que um homem?
O pensamento de que nosso destino está fixado para sempre em
razão de alguns anos de provação, até mesmo quando não tenha dependido
de nós alcançar a perfeição na Terra, tem algo de desanimador,
enquanto a idéia oposta é eminentemente consoladora, porque nos dá
a esperança. Desse modo, sem nos pronunciarmos a favor ou contra a
pluralidade das existências, sem dar preferência a uma hipótese ou outra,
diremos que, se fosse dado ao homem o direito de escolha, não haveria
ninguém que preferisse um julgamento sem apelação. Um filósofo disse
que se Deus não existisse, seria preciso inventá-lo para a felicidade dos
seres humanos (3). O mesmo se pode dizer da pluralidade das existências.
Mas, como já ficou dito, Deus não pede nossa permissão; não consulta
nossa vontade. Ou isto é, ou não é. Vejamos de que lado estão as probabilidades
e tomemos a questão sob um outro ponto de vista, deixando
outra vez de lado o ensinamento dos Espíritos para analisá-la, unicamente,
como estudo filosófico.
Se não existe reencarnação, não há senão uma existência corporal;
isso é evidente. Se nossa existência corporal atual é a única, a alma de cada
homem é criada no momento do seu nascimento, a menos que se admita a
anterioridade da alma e, nesse caso, se perguntará qual foi o estado da
alma antes de seu nascimento e se esse estado não constituía, por si só, uma
existência sob uma forma qualquer. Não há meio-termo possível: ou a alma
existia ou não existia antes do corpo. Se existia, qual era sua situação? Ela
tinha ou não consciência de si mesma? Se não tinha, é como se não existisse.
Se tinha individualidade, era progressiva ou estacionária? Tanto num caso como
no outro, em que grau se achava ao tomar o corpo? Ao admitir, de acordo com
a crença popular, que a alma nasce com o corpo, ou, o que vem a dar no
mesmo, que antes de sua encarnação tinha apenas qualidades negativas, fazemos
as seguintes questões:
1. Por que a alma mostra aptidões tão diversas e independentes
das idéias adquiridas pela educação?
2. De onde vem a aptidão extranormal de certas crianças de tenra
idade para determinada arte ou ciência, enquanto outras permanecem
inferiores ou medíocres por toda a vida?
3. De onde vêm, em uns, as idéias inatas ou intuitivas que não existem
em outros?
4. De onde vêm, em algumas crianças, esses instintos precoces de
vícios ou de virtudes, esses sentimentos inatos de dignidade ou de baixeza,
que contrastam com o meio em que nasceram?
5. Por que certos homens, independentemente da educação, são
mais avançados que outros?
6. Por que há selvagens e homens civilizados? Se tomardes uma
criança hotentote (4) recém-nascida e a educardes nas escolas mais renomadas,
fareis dela algum dia um Laplace (5) ou um Newton (6)?
Perguntamos: qual é a filosofia ou a teosofia (7) que pode resolver
esses problemas? Ou as almas são iguais no seu nascimento, ou são
desiguais, não há a menor dúvida disso. Se são iguais, por que são tão
diversas as suas aptidões? Dirão que isso depende do organismo. Nesse
caso, então seria a mais monstruosa e mais imoral das doutrinas. O ho-
mem seria apenas uma máquina, o joguete da matéria, e assim não teria
mais as responsabilidades por seus atos, pois poderia atribuir tudo às suas
imperfeições físicas. Se são desiguais as almas, é porque Deus as criou
assim; mas, então, por que essa superioridade inata concedida a alguns?
Estará essa parcialidade, esse favorecimento de acordo com a Sua justiça
e com o amor igual que dedica a todas as criaturas?
Admitamos, ao contrário, uma sucessão de existências anteriores
progressivas para cada alma e tudo estará claramente explicado. Os homens
trazem ao nascer a intuição do que adquiriram em vidas anteriores;
são mais ou menos avançados de acordo com o número de existências
por que passaram, conforme estejam mais ou menos distantes do ponto
de partida, exatamente como numa reunião de indivíduos de todas as
idades, em que cada um terá um desenvolvimento proporcional ao número
de anos que tiver vivido. As existências sucessivas serão, para a vida da
alma, o que os anos são para a vida do corpo. Reuni de uma vez mil
indivíduos, de um a oitenta anos. Imaginai que um véu seja lançado sobre
todos os dias que ficaram para trás, e que, em vossa ignorância, os
acreditais nascidos todos no mesmo dia: perguntareis naturalmente como
uns podem ser grandes e outros pequenos, uns velhos e outros jovens,
uns instruídos e outros ainda ignorantes. Mas se o véu que esconde
o passado se dissipar, se chegardes a saber que todos viveram um tempo
mais ou menos longo, tudo se explicará. Deus, em Sua justiça, não podia
ter criado almas mais perfeitas e outras menos perfeitas; mas, com a
pluralidade das existências, a desigualdade, as diferenças e divergências
da vida não tem nada contrário à mais rigorosa justiça: pois vemos
apenas o presente, não o passado. Este raciocínio se baseia em algum
sistema ou é uma suposição gratuita? Não. Partimos de um fato patente,
incontestável: a desigualdade das qualidades, das aptidões e do desenvolvimento
intelectual e moral, e verificamos que esse fato é inexplicável
por todas as teorias correntes; enquanto a explicação é simples, natural e
lógica por uma outra teoria. É racional preferir as que não explicam àquela
que explica?
Em relação à sexta questão, sem dúvida se dirá que o hotentote é
de uma raça inferior. Então perguntaremos se o hotentote é ou não é um
homem. Se é um homem, por que Deus o fez, e à sua raça, deserdados
de privilégios concedidos à raça caucásica (8)? Se não é um homem, por
que procurar fazê-lo cristão? A Doutrina Espírita é mais ampla que tudo
isso; para ela não há diversas espécies de homens, há apenas homens
cujos Espíritos estão mais ou menos atrasados, todos, porém, suscetíveis
de progredir. Não está, este princípio, mais de acordo com a justiça de
Deus?
Acabamos de avaliar as condições da alma quanto ao passado e
ao presente. Se nós a considerarmos numa projeção quanto ao seu futuro,
encontraremos as mesmas dificuldades.
1. Se nossa existência atual é única, deve decidir a nossa destinação
vindoura. Qual é, então, na vida futura, a posição respectiva do selvagem
e do homem civilizado? Estarão no mesmo plano ou estarão distanciados
em relação à felicidade eterna?
2. O homem que trabalhou durante toda a vida para se aperfeiçoar
estará na mesma posição daquele que permaneceu inferior, não por sua culpa,
mas porque não teve tempo nem oportunidade de se aperfeiçoar?
3. O homem que praticou o mal, porque não pôde se esclarecer,
será culpado por um estado de coisas que não dependeram dele?
4. Trabalha-se para esclarecer os homens, para moralizá-los, civilizá-
los; mas, para cada um que se esclareça, há milhões de outros que
morrem a cada dia antes que a luz chegue até eles. Qual será o fim deles?
Serão tratados como condenados? Se não forem, o que fizeram para merecer
estar na mesma posição que os outros?
5. Qual é o destino das crianças que morrem em tenra idade e que
não puderam, por isso, fazer o bem nem o mal? Se ficarem entre os eleitos,
por que esse favorecimento, sem terem feito nada para merecê-lo? Por
qual privilégio se livraram das dificuldades da vida?
Há alguma doutrina capaz de esclarecer essas questões?
Admiti as existências consecutivas e tudo estará explicado de acordo
com a justiça de Deus. O que não puder ser feito numa existência se
fará em outra. É assim que ninguém escapa à lei do progresso. Cada um
será recompensado de acordo com seu mérito real e ninguém é excluído
da felicidade suprema, a que pode pretender, sejam quais forem os obstáculos
que venha a encontrar no caminho.
Essas questões poderiam ser multiplicadas ao infinito, porque são
inúmeros os problemas psicológicos e morais que só encontram solução
na pluralidade das existências. Limitamo-nos apenas à observação dos
mais comuns. Poderão também dizer que a doutrina da reencarnação não
é admitida pela Igreja, porque ela seria a subversão da religião. Nosso
objetivo não é tratar dessa questão neste momento; basta-nos ter demonstrado
que a reencarnação é eminentemente moral e racional. Portanto,
o que é moral e racional não pode ser contrário a uma religião que proclama
ser Deus a bondade e a razão por excelência. Que teria sido da religião
se, contra a opinião universal e a comprovação da ciência, se houvesse
posicionado contra a evidência e tivesse expulsado de seu seio todos os
que não acreditassem no movimento do Sol ou nos seis dias da criação?
Que crédito mereceria e que autoridade teria, entre os povos mais esclarecidos,
uma religião fundada em erros notórios que fossem impostos como
artigos de fé? Quando a evidência foi comprovada, a Igreja se colocou
sabiamente ao lado do que era evidente. Se está provado que existem
coisas impossíveis sem a reencarnação e que certos pontos do dogma
somente podem ser explicados por ela, é preciso admitir e reconhecer
que a discordância entre essa doutrina e os dogmas é apenas aparente.
Mais adiante mostraremos que a religião está menos distanciada do que
se pensa da doutrina das vidas sucessivas e que se a aceitasse não sofreria
maiores danos do que já sofreu com a descoberta do movimento da
Terra e dos períodos geológicos que, à primeira vista, pareceram desmentir
os textos bíblicos. O princípio da reencarnação ressalta, aliás, em muitas
passagens das Escrituras, e se encontra notavelmente formulado de
maneira clara e inequívoca no Evangelho:
“Quando desciam do monte (após a transfiguração), Jesus lhes ordenou:
‘Não faleis a ninguém o que acabastes de ver, até que o filho do
homem seja ressuscitado dentre os mortos’. Seus discípulos o interrogaram,
então, dizendo: ‘Por que os escribas dizem que é preciso que Elias
venha primeiro?’ Mas Jesus lhes respondeu: ‘É verdade que Elias deve vir
e que restabelecerá todas as coisas. Mas eu vos declaro que Elias já veio,
e eles não o conheceram, mas o fizeram sofrer como quiseram. É assim
que farão morrer o filho do homem.’ Então seus discípulos entenderam
que era de João Batista que ele lhes falava” (Mateus, cap. 17).
Uma vez que João Batista era Elias, deve ter ocorrido a reencarnação
do Espírito ou da alma de Elias no corpo de João Batista.
Qualquer que seja, enfim, a opinião que se tenha da reencarnação,
quer a aceitemos ou não, todos teremos de passar por ela, caso ela exista,
apesar de toda crença contrária. O ponto essencial é que o ensinamento
dos Espíritos é eminentemente cristão. Apóia-se na imortalidade da
alma, nas penas e recompensas futuras, na justiça de Deus, no livre-arbítrio
do homem, na moral do Cristo e, portanto, não é anti-religioso.
Até agora argumentamos, como dissemos, pondo de lado todo ensinamento
espírita que, para algumas pessoas, não tem autoridade. Se
nós, assim como muitos outros, adotamos a opinião da pluralidade das
existências, não é apenas porque o ensinamento tenha vindo dos Espíritos.
É porque esta Doutrina nos pareceu a mais lógica e porque só ela
resolve questões até então insolúveis.
Mesmo se fosse da autoria de um simples mortal, nós a teríamos
igualmente adotado e não hesitaríamos nem mais um segundo em renunciar
às nossas próprias idéias. No momento em que um erro é demonstrado,
o amor-próprio tem mais a perder do que a ganhar ao se manter teimosamente
numa idéia falsa. Da mesma forma, nós a teríamos rejeitado, mesmo
que tivesse vindo dos Espíritos, se nos parecesse contrária à razão,
assim como negamos muitas outras; porque sabemos, por experiência,
que não devemos aceitar cegamente tudo o que vem da parte deles, da
mesma maneira que não se deve aceitar tudo que vem da parte dos homens.
A maior distinção, o primeiro título, que para nós recomenda a idéia
da reencarnação, antes de tudo, é o de ser lógica. Mas existe uma outra,
que é o de ser confirmada pelos fatos: fatos positivos e, por assim dizer,
materiais, que um estudo atento e racional pode revelar a qualquer um que
se dê ao trabalho de observar com paciência e perseverança, diante dos
quais não pairam mais dúvidas. Quando esses fatos se popularizarem,
como os da formação e do movimento da Terra, será preciso render-se à
evidência e os opositores terão gasto em vão os argumentos contrários.
Reconheçamos, em resumo, que a doutrina da pluralidade das existências
é a única que explica o que, sem ela, é inexplicável. Que é eminentemente
consoladora e está em harmonia com a mais rigorosa justiça
e é, para o homem, a âncora de salvação que Deus lhe deu na Sua misericórdia.
Até mesmo as palavras de Jesus não podem deixar dúvida sobre
este assunto. Eis o que é dito no Evangelho de João, cap. 3:
3. Jesus, respondendo a Nicodemos, disse: “Em verdade, em verdade
te digo que se um homem não nasce de novo, não pode ver o reino
de Deus”.
4. Nicodemos lhe disse: “Como um homem pode nascer sendo já
velho? Pode ele entrar no ventre de sua mãe e nascer uma segunda vez?”
5. Jesus respondeu: “Em verdade, em verdade te digo que se um
homem não renascer da água e do espírito, não pode entrar no reino de
Deus. O que nasceu da carne é carne, e o que nasceu do Espírito é
Espírito. Não te espantes com o que te disse: Necessário vos é nascer de
novo”. (Veja a seguir a questão 1010, “Ressurreição da carne”).
_______________________________________________________________________

1 - Pitágoras: filósofo e matemático grego, viveu cerca de 500 ou 600 anos a.C. (N. E.).
2 - Metempsicose: doutrina segundo a qual a mesma alma pode animar, em vidas sucessivas, corpos diversos: vegetais, animais ou homens (N. E.).
3 - O filósofo que fez essa afirmação foi Voltaire (1694-1778), poeta, literato e filósofo francês (N. E.).
4 - Hotentote: natural ou habitante da Hotentótia, África; raça negra, primitiva (N. E.).
5 - Laplace: Pierre Simon Laplace, astrônomo, físico e matemático francês, viveu de 1749 a 1827 (N. E.).
6 - Newton: Isaac Newton, cientista inglês. Viveu de 1642 a 1727 (N. E.).
7 - Teosofia: qualquer doutrina religiosa e filosófica que procura explicar e integrar Deus e o homem (N. E.).
8 - Raça caucásica: pertencente ou relativo ao Cáucaso. Habitantes do norte da Rússia, chamados russos brancos; a raça branca é também chamada raça caucásica (N. E.).