segunda-feira, 6 de junho de 2011
Espíritas: Kardec e vida
Espíritas: Kardec e vida: "Kardequização do sentimento : equilíbrio Kardequização do raciocínio : visão Kardequização da ciência : humanidade Kardequização..."
DIFERENTES ORDENS DE ESPÍRITOS
96 Os Espíritos são iguais ou há entre eles alguma hierarquia?
– Eles são de diferentes ordens, de acordo com o grau de perfeição a
que chegaram.
97 Há um número determinado de ordens ou de graus de perfeição
entre os Espíritos?
– O número é ilimitado. Não há entre essas ordens uma linha de demarcação
como limite, e, assim, as divisões podem ser multiplicadas ou
restringidas à vontade. No entanto, considerando-se as características
gerais, podem reduzir-se a três principais.
Em primeiro lugar, os que chegaram à perfeição: os Espíritos puros.
Os da segunda ordem são os que atingiram o meio da escala: o desejo do
bem é sua preocupação. Os do último grau, ainda no início da escala, são
os Espíritos imperfeitos, caracterizados pela ignorância, pelo desejo do
mal e por todas as más paixões que retardam seu adiantamento.
98 Os Espíritos da segunda ordem têm apenas o desejo do bem,
ou terão também o poder de praticá-lo?
– Têm esse poder segundo o grau de sua perfeição: uns têm a ciência,
outros a sabedoria e a bondade, mas todos ainda têm provas a cumprir.
99 Os Espíritos da terceira ordem são todos essencialmente maus?
– Não; uns não fazem o bem nem o mal; outros, ao contrário, se
satisfazem no mal e sentem prazer quando encontram a ocasião de o
fazer. E há ainda os Espíritos levianos ou zombadores, mais brincalhões do
que maus, que se satisfazem antes na malícia do que na maldade e que
encontram prazer em mistificar e causar pequenas contrariedades das quais
se riem.
domingo, 5 de junho de 2011
PERISPÍRITO
93 O Espírito, propriamente dito, não tem nenhuma cobertura, ou
como pretendem alguns, é envolvido por alguma substância?
– O Espírito é envolvido por uma substância vaporosa para vós, mas
ainda bem grosseira para nós; é suficientemente vaporosa para poder se
elevar na atmosfera e se transportar para onde quiser.
* Assim como nas sementes o germe do fruto é envolvido pelo
perisperma (2), do mesmo modo o Espírito, propriamente dito, é revestido
de um envoltório que, por comparação, pode-se chamar perispírito.
94 De onde o Espírito tira seu envoltório semimaterial?
– Do fluido universal de cada globo. É por isso que não é igual em
todos os mundos. Ao passar de um mundo a outro, o Espírito muda de
envoltório, como trocais de roupa.
94 a Assim, quando os Espíritos que habitam os mundos superiores
vêm até nós, revestem-se de um perispírito mais grosseiro?
– É preciso que se revistam de vossa matéria, como já dissemos.
95 O envoltório semimaterial do Espírito tem formas determinadas
e pode ser perceptível?
– Sim, tem a forma que lhe convém. É assim que se apresenta, algumas
vezes, nos sonhos, ou quando estais acordados, podendo tomar
uma forma visível e até mesmo palpável.
2 - Perisperma: revestimento fino que envolve a parte da semente da qual se formará a
planta (N. E.).
sábado, 4 de junho de 2011
FORMA E UBIQÜIDADE (1) DOS ESPÍRITOS
88 Os Espíritos têm uma forma determinada, limitada e constante?
– A vossos olhos, não; aos nossos, sim. O Espírito é, se quiserdes,
uma chama, um clarão ou uma centelha etérea.
88 a Essa chama ou centelha tem uma cor qualquer?
– Para vós, ela varia do escuro ao brilho do rubi, conforme seja o
Espírito mais ou menos puro.
* É costume representarem-se os gênios com uma chama ou uma
estrela sobre a fronte. É uma alegoria que lembra a natureza essencial
dos Espíritos. Coloca-se no alto da cabeça, porque é aí a sede da inteligência.
89 Os Espíritos gastam algum tempo para percorrer o espaço?
– Sim; porém, rápido como o pensamento.
89 a O pensamento não é a própria alma que se transporta?
– Quando o pensamento está em algum lugar, a alma está também,
uma vez que é a alma que pensa. O pensamento é um atributo da alma.
90 O Espírito que se transporta de um lugar a outro tem consciência
da distância que percorre e dos espaços que atravessa, ou é
subitamente transportado para o lugar aonde quer ir?
– Ocorrem ambas as coisas. O Espírito pode muito bem, se o quiser,
se dar conta da distância que percorre, mas essa distância pode também
não ser sentida e até completamente despercebida. Isso depende de sua
vontade e de sua natureza mais ou menos depurada.
91 A matéria oferece algum obstáculo aos Espíritos?
– Não, eles penetram em tudo: o ar, a terra, as águas e até mesmo o
fogo lhes são igualmente acessíveis.
92 Os Espíritos têm o dom da ubiqüidade, ou, em outras palavras,
o mesmo Espírito pode se dividir ou estar em vários pontos ao
mesmo tempo?
– Não pode haver divisão do mesmo Espírito. Mas cada um é um
centro que se irradia para diferentes lados e é por isso que parece estar
em muitos lugares ao mesmo tempo. Vedes o Sol, é apenas um e, entretanto,
irradia-se em todos os sentidos e leva seus raios para muito longe.
Apesar disso, não se divide.
92 a Todos os Espíritos se irradiam com o mesmo poder?
– Longe disso. Isso depende do grau de pureza de cada um.
* Cada Espírito é uma unidade indivisível, mas cada um deles pode
estender seu pensamento para muitos lugares sem com isso se dividir.
É apenas nesse sentido que se deve entender o dom da ubiqüidade
atribuído aos Espíritos; como uma centelha que projeta ao longe sua
claridade e pode ser percebida de todos os pontos do horizonte; ou,
ainda, como um homem que, no mesmo lugar e sem se dividir, pode
transmitir ordens, sinais e movimento para diferentes pontos.
1 - Ubiqüidade: capacidade de estar em vários lugares ao mesmo tempo. É um atributo de
Espíritos de grande evolução (N. E.).
sexta-feira, 3 de junho de 2011
MUNDO NORMAL PRIMITIVO
84 Os Espíritos constituem um mundo à parte, fora daquele que
vemos?
– Sim, o mundo dos Espíritos ou das inteligências incorpóreas.
85 Qual dos dois é o principal na ordem das coisas: o mundo
espiritual ou o mundo corporal?
– O mundo espiritual, que preexiste e sobrevive a tudo.
86 O mundo corporal poderia deixar de existir, ou nunca ter existido,
sem alterar a essência do mundo espiritual?
– Sim, eles são independentes e, entretanto, sua correlação é incessante,
porque reagem incessantemente um sobre o outro.
87 Os Espíritos ocupam uma região determinada e circunscrita
no espaço?
– Os Espíritos estão em todos os lugares, povoam infinitamente os
espaços. Estão sempre ao vosso lado, vos observam e agem entre vós
sem os perceberdes, porque os Espíritos são uma das forças da natureza
e os instrumentos dos quais Deus se serve para a realização de Seus
desígnios providenciais. Mas nem todos vão a todos os lugares, porque
há regiões interditadas aos menos avançados.
quinta-feira, 2 de junho de 2011
PARTE SEGUNDA - MUNDO ESPÍRITA OU DOS ESPÍRITOS
CAPÍTULO - 1
ORIGEM E NATUREZA DOS ESPÍRITOS
76 Que definição se pode dar dos Espíritos?
– Pode-se dizer que os Espíritos são os seres inteligentes da Criação.
Eles povoam o universo, fora do mundo material.
* Nota: A palavra Espírito é empregada aqui para designar a individualidade
e não mais o elemento inteligente universal.
77 Os Espíritos são seres distintos da Divindade ou seriam somente
emanações ou porções da Divindade e chamados, por essa
razão, filhos de Deus?
– Meu Deus! São obras de Deus. Exatamente como um homem que faz
uma máquina, essa máquina é a obra do homem, mas não é ele próprio.
Quando o homem faz uma coisa bela, útil, a chama sua filha, sua criação.
Pois bem! Ocorre o mesmo com Deus: somos seus filhos, porque somos
sua obra.
78 Os Espíritos tiveram um princípio, ou são como Deus, de toda
a eternidade?
– Se os Espíritos não tivessem tido um princípio, seriam iguais a Deus.
São sua criação e submissos à Sua vontade. Deus existe de toda a eternidade,
isso é incontestável. Mas saber quando e como nos criou, não sabemos
nada. Podeis dizer que não tivemos princípio, se entenderdes com isso que
Deus, sendo eterno, tem criado sem descanso. Mas quando e como cada
um de nós foi criado, repito, ninguém o sabe: esse é o mistério.
79 Uma vez que há dois elementos gerais no universo: o inteligente
e o material, pode-se dizer que os Espíritos são formados do elemento
inteligente, como os corpos inertes são formados do elemento
material?
– É evidente. Os Espíritos são a individualização do princípio inteligente,
como os corpos são a individualização do princípio material. A época e
o modo dessa formação é que são desconhecidos.
80 A criação dos Espíritos é permanente, ou só ocorreu no início
dos tempos?
– É permanente, Deus nunca parou de criar.
81 Os Espíritos se formam espontaneamente, ou procedem uns
dos outros?
– Deus os cria, como a todas as outras criaturas, por sua vontade.
Mas, repito mais uma vez, sua origem é um mistério.
82 É exato dizer que os Espíritos são imateriais?
– Como podemos definir uma coisa quando não temos termos de comparação
e com uma linguagem insuficiente? Pode um cego de nascença
definir a luz? Imaterial não é bem a palavra, incorpóreo seria mais exato, porque
deveis compreender bem que o Espírito, sendo uma criação, deve ser
alguma coisa. É uma matéria puríssima, mas sem comparação ou semelhança
para vós, e tão etérea que não pode ser percebida pelos vossos sentidos.
* Dizemos que os Espíritos são imateriais, porque sua essência difere
de tudo o que conhecemos como matéria. Uma comunidade de cegos
não teria termos para exprimir a luz e seus efeitos. O cego de nascença
acredita ter todas as percepções pela audição, pelo olfato, pelo paladar e
pelo tato. Ele não compreende as idéias que lhe dariam o sentido que lhe
falta. Do mesmo modo, em relação à essência dos seres sobre-humanos,
somos como verdadeiros cegos. Podemos defini-los somente por comparações
sempre imperfeitas, ou por um esforço de nossa imaginação.
83 Compreende-se que o princípio de onde emanam os Espíritos
seja eterno, mas o que perguntamos é se sua individualidade tem um
fim e se, num dado momento, mais ou menos longo, o elemento do
qual são formados se dispersa e retorna à massa de onde saiu, como
acontece com os corpos materiais. É difícil compreender que uma
coisa que começou não possa acabar. Os Espíritos têm um fim?
– Há coisas que não compreendeis, porque a vossa inteligência é
limitada. Mas isso não é razão para serem rejeitadas. A criança não compreende
tudo o que seu pai compreende, nem o ignorante tudo o que
compreende o sábio. Nós vos dizemos que a existência dos Espíritos não
acaba; é tudo o que, por agora, podemos dizer.
quarta-feira, 1 de junho de 2011
INTELIGÊNCIA E INSTINTO
71 A inteligência é um atributo do princípio vital?
– Não, uma vez que as plantas vivem e não pensam: apenas têm a
vida orgânica. A inteligência e a matéria são independentes, uma vez que
um corpo pode viver sem inteligência. Porém, a inteligência só pode manifestar-
se por meio dos órgãos materiais. É preciso a união com o Espírito
para prover de inteligência a matéria animalizada.
* A inteligência é um dom especial, próprio de algumas classes de
seres orgânicos e que lhes dá, com o pensamento, a vontade de agir, a
consciência de sua existência e de sua individualidade, assim como os
meios de estabelecer relações com o mundo exterior e de proverem as
suas necessidades.
Podem distinguir-se assim:
1º) os seres inanimados, formados apenas de matéria, sem vitalidade
nem inteligência: são os corpos brutos;
2º) os seres animados que não pensam, formados de matéria e dotados
de vitalidade, mas desprovidos de inteligência;
3º ) os seres animados pensantes, formados de matéria, dotados de
vitalidade e tendo a mais um princípio inteligente que lhes dá a faculdade
de pensar.
72 Qual é a fonte da inteligência?
– Já o dissemos: a inteligência universal.
72 a Podemos, então, dizer que cada ser tira uma porção de inteligência
da fonte universal e a assimila, como tira e assimila o princípio
da vida material?
– Isso é apenas uma comparação, mas não é exata. A inteligência é um dom
próprio de cada ser e constitui sua individualidade moral. Por fim, há coisas que
não são dadas ao homem penetrar, e essa por enquanto é uma delas.
73 O instinto é independente da inteligência?
– Não, precisamente, mas ele é uma espécie de inteligência. O instinto
é uma inteligência não-racional. É por meio dele que todos os seres
provêm as suas necessidades.
74 Pode-se assinalar um limite entre o instinto e a inteligência, ou
seja, perceber onde um acaba e a outra começa?
– Não, porque freqüentemente se confundem. Mas pode-se muito
bem distinguir os atos do instinto dos da inteligência.
75 É exato dizer que os dons instintivos diminuem à medida que
aumentam os intelectuais?
– Não; o instinto sempre existe, mas o homem o despreza. O instinto
também pode conduzir ao bem. Ele nos guia, quase sempre, mais seguramente
do que a razão. Nunca se engana.
75 a Por que a razão não é sempre um guia infalível?
– Ela seria infalível se não fosse falseada pela má educação, pelo
orgulho e pelo egoísmo. O instinto não raciocina; a razão permite a escolha
e dá ao homem o livre-arbítrio.
* O instinto é uma inteligência rudimentar em que as manifestações
são quase sempre espontâneas, e difere da inteligência propriamente
dita, cujas manifestações expressam uma avaliação de um ato deliberado
que sofreu exame interior.
O instinto varia em suas manifestações quanto às espécies e às
suas necessidades. Entre os seres que têm a consciência e a percepção
das coisas exteriores, ele se alia à inteligência, quer dizer, à vontade
e à liberdade.
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